Sexta-feira, 15 de Maio de 2009

O apoio a Durão Barroso "apenas porque ele é português" ou ao Tratado de Lisboa apenas porque ostenta o nome da capital portuguesa são "sentimentos tão parolos quanto a história das bandeiras de Portugal durante o Euro 2004". A opinião foi expressa pelo cabeça-de-lista do Partido Popular Monárquico ao Parlamento Europeu, o jornalista Frederico Carvalho. Quanto o tratado de Lisboa, ainda não acabei de ler, por isso não me pronuncio. Quanto às bandeiras durante o Euro, talvez tenha sido um bocadinho parolo, mas sabíamos nós que íamos acabar em segundo e perder duas vezes com a Grécia? Acho que esta das bandeiras não conta. Agora apoiar Durão Barroso só por ser português é mais complicado. No início das suas declarações, Frederico Carvalho fez uma comparação com o cão do Obama. Estou de acordo que não devemos esperar um tratamento especial do presidente americano por sermos compatriotas dos antepassados do seu cãozinho. Julgo que seria de mau gosto e um tanto pretensioso ir jantar à Casa Branca e perguntar ao cãozinho se é parente do Bolinha, também um cão de água que tinham os meus avós em Albufeira, isto no tempo em que Albufeira era uma aldeia de pescadores. Com Durão Barroso, a coisa é diferente. Não temos nenhuma dúvida de que as suas responsabilidades e o seu dever de imparcialidade não nos trouxe vantagens sobre os nossos parceiros da União Europeia. Até porque o homem também não tem assim tanta importância como parece. No entanto, não é o mesmo para um inglês ou um francês ter um compatriota como presidente da União Europeia como pode ser para um português. Para já, somos poucos. É fácil encontrar algum vínculo ou conhecer um primo de um amigo que seja vagamente conhecido do Barroso. E se pertencemos ao mundo da política, é impossível não termos passado algum momento memorável com ele. Sobretudo, se na juventude, como todos os jovens, tenhamos sido um bocadinho de esquerda. Não é preciso muito: só ligeiramente trotskista ou ter tido uma namorada maoista nos idos de setenta. Quem não teve? Desculpem, mas haver um português, seja onde for é outra coisa. Mesmo que não possa ou não queira fazer a ponta dum corno por nós. Sempre é melhor que quem não faz nada por nós, ao menos não o faça em português. É mais aceitável. Aliás, se não for por ser português por que raio é que o havemos de apoiar? Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:47
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