Quarta-feira, 27 de Maio de 2009

Ouvi atentamente a longa intervenção do ex-presidente do BPN, José Oliveira e Costa, na comissão de inquérito parlamentar. Vou deixar para outro dia a minha análise financeira da sua gestão, caso os meus colegas especializados esqueçam algum aspecto importante. Como era de esperar Oliveira e Costa começou a cumprir a sua promessa de fazer rolar todas as cabeças que possa. Isto é muito compreensível. Recordemos que os seus ex-colaboradores e ex-executivos importantes tentaram tudo para que o homem fosse o único guilhotinado. Mais tarde ou mais cedo Oliveira e Costa ia fazer estragos. Contudo, surpreendi-me com a utilização da terminologia psicanalítica para caracterizar as atitudes e personalidades dos seus inimigo; excepção feita a Miguel Cadilhe, que mereceu a evangélica referência a Pilatos. Disse, por exemplo, do influente accionista Joaquim Coimbra, que é, ou foi, uma coisa impossível de ter sido e não ser agora: um psicótico. Podia ter dito que era, ou é, um delirante manipulador ou mesmo doido; se a palavra “doido” não se tivesse tornado um termo carinhoso, poucas vezes utilizado no seu sentido ofensivo. Dias Loureiro inspirou-o mais. Para explicar os elogios que Dias Loureiro lhe fez, Oliveira e Costa disse que o seu ego era atravessado por “pulsões inconscientes”. Esta é difícil de perceber. Se calhar, elogiava o chefe para se desresponsabilizar, ou então ao contrário, o que vai dar ao mesmo. Oliveira e Costa também afirmou que queriam fazer dele “um centralizador compulsivo”. Dito de outra maneira: um autoritário que controla tudo, o que leva à tal ideia de que tudo o que se fazia era por culpa do chefe. O interessante do vocabulário usado pelo ex-presidente do BPN é que, se por um lado procurou definir freudianamente as personalidades dos seus próximos, por outro não percebeu que explicar a fraude do BPN como tendo sido só uma conspiração para o tramar o torna a ele também num tipo mesmo freudiano, que é o do psicótico paranóico. O diagnóstico ficaria sem efeito se fosse declarado inocente de toda esta embrulhada do BPN e do resto do seu grupo. Nesse caso, e só assim, podemos declarar Oliveira e Costa como uma pessoa sã. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:52
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