Terça-feira, 2 de Junho de 2009

Não sei o que pensar sobre as declarações do juiz de Guimarães, Gouveia Barros. Foi ele que entregou a pequena Alexandra à mãe biológica russa. Se por um lado é comovente que se tenha incomodado quando viu a menina na televisão a apanhar umas valentes palmadas dadas pela mãe, outras afirmações do juiz fazem temer o pior. Por exemplo, quando confessou que tinha uma certa animosidade contra a Florinda, a mãe portuguesa que acolheu a criança. Contudo, sempre soube que os juízes são humanos e que têm as suas birras e simpatias. Não duvido que qualquer juiz tome partido num momento ou outro pelo acusado ou pelo acusador. Está na nossa natureza. A imparcialidade é um ideal que todos se esforçam por alcançar. E por vezes alcançam, mas isso não acontece todos os dias. Os erros são mais habituais e sobressaem sempre entre as decisões acertadas. Também é verdade que às vezes a parcialidade funciona. E por ter sido parcial não significa que tenha sido injusto. É tramado, eu sei, mas inevitável. É por isso que certas funções devem ter um direito de reserva. O segredo não é a alma do negócio; é a forma da sua seriedade. Que os árbitros de futebol não comentem os jogos que arbitraram ou que os médicos, depois de uma operação fracassada, apelem à fatalidade com explicação são apenas os exemplos mais correntes de que é preferível não saber o que aconteceu a saber que o que se passou foi por burrice ou incompetência profissional. O mesmo sucede no caso deste juiz. Ao expor as suas debilidades, expõe as debilidades de todos os juízes. Claro que disse o que de alguma maneira todos sabíamos: que os juízes são falíveis e influenciáveis. Mas não precisávamos dessa confirmação. Agora não temos outra alternativa a não ser acusar as pessoas que decidem contra nós que o fizeram porque não gostam de nós. É uma tragédia. É a velha história: ninguém pediu para nos dizerem a verdade. Só para nos mentirem bem. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:51
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