Sexta-feira, 5 de Junho de 2009

Finalmente, depois de amanhã, vamos todos votar. Por uma questão ética não posso dizer em quem vou votar. No entanto, sem ofender o código deontológico, acho que vos posso contar a pequena sondagem que fiz. A minha família é muito numerosa. Nunca ninguém acreditou nos preservativos. Ainda por cima as mulheres que tenho como parentes sempre tiveram problemas hormonais que as impediram de usar contraceptivos. Os homens sempre tiveram horror aos médicos e nenhum se atreveu a fazer uma vasectomia. Isto só para explicar por que diabo tenho uma família tão grande. O lado bom é que o número de pessoas é suficiente para fazer uma sondagem credível com uma margem de erro enorme, tudo por causas genéticas. Mas quem não tem problemas genéticos? Pergunto eu. A minha avó não vai votar porque é monárquica e ainda fala do cheiro a pólvora no Terreiro do Paço, embora toda a família saiba que, no regicídio, não só não estava em Lisboa como ainda não tinha nascido. A minha mãe vai votar. Ponto. Nunca se sabe em quem. Divertiu-se imenso no 25 de Abril. Está sempre a dizer que nunca foi tão feliz como naquele tempo, com os seus trinta anos. Acredito, sobretudo porque desde 1964 que anda a dizer que tem trinta anos. Com certeza, ao último minuto, faz um-dó-li-tá. O meu pai, que desde pequenino gosta de expressar as suas ideias, actualizando só os termos, diz que não vai votar porque "não se revê" em nenhum candidato. Os meus tios vão aproveitar para lhe fazer companhia e assim têm uma desculpa para ficar em casa. São muito unidos. Sei que os meus primos vão votar no PCP só para chatear a minha avó, os pais e os tios. As minhas primas estão mais divididas. Querem votar no CDS por causa do Nuno Melo, mas têm medo que com os votos delas a Teresa Caeiro também seja eleita. Nesse caso, vai ter o Nuno Melo só para ela em Bruxelas. Coisa parecida acontece com as minhas sobrinhas, que gostam do Miguel Portas, mas não querem que a morena alta, que agora anda sempre ao lado dele, fique com o bloquista. Os meus sobrinhos, como têm muito medo de não conseguir os primeiros empregos, estão divididos entre o PS e o PSD. Gosto muito deles. São patrióticos. Lá à maneira deles. O meu sobrinho favorito ainda está a pensar. Felizmente, não tem idade para votar e, por isso, pode reflectir à vontade. Segundo os meus cálculos, daqui a quarenta anos vai tomar a decisão certa. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:01
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Comentários:
De Ana a 6 de Junho de 2009 às 09:38
Ca em casa somos todos do mesmo partido
O do voto em branco


De Anónimo a 8 de Junho de 2009 às 09:12
Excelente, por uma família se tira o retrato do país. bji. Clara (CMC)


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