Segunda-feira, 11 de Fevereiro de 2008
Não sou monárquico mas também não sou antimonárquico. Julgo que as ainda existentes monarquias europeias, todas elas implantadas em países com uma democracia exemplar, provam que os fanatismos republicanos não fazem sentido. Na semana passada tivemos o aniversário do regicídio. As polémicas em redor dessa data foram extraordinariamente estúpidas. Uma banda militar deve estar presente ou não? Como se o erário público se pudesse ressentir com tanta pompa, ou como se fosse um insulto para República que a banda tocasse na inauguração duma estátua. Aliás, concordemos que os ouvidos republicanos seriam mais bem tratados se as bandas militares praticassem um bocadinho mais. Na Assembleia grande dilema patriótico: voto de pesar pelo último rei de Portugal ou voto de alegria pela morte do gordo D. Carlos e de seu filho, já pesadote, o príncipe herdeiro? Tenhamos cuidado! O povo está observar-nos! Que medo! Deixem-me que vos diga, senhores deputados: o povo estava totalmente nas tintas para a vossa votação. Mas o mais absurdo no meio de tudo isto foi a sensação de que, de tanto dizerem "regicídio", as pessoas terem esquecido o significado da palavra. O regicídio foi um assassinato a sangue frio. Onde é que está o dilema moral? Custa tanto dizer que "bem, é bom que Portugal seja uma república, teríamos gostado que fosse de outra maneira… Enfim, ao menos não fomos tão selvagens como os franceses. Eles mataram mais… e com guilhotina, que de facto é muito feio… não havia necessidade. Sim, claro que pode ir uma banda militar e claro que toda a Assembleia tem muita pena que tudo tenha começado com tão desagradável incidente". Não custava nada, pois não? Fora isso, tudo bem.


Publicada por Carlos Quevedo às 23:20
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