Sexta-feira, 12 de Junho de 2009

Tudo leva a crer que o futuro será saudável. A preocupação com a saúde do povo pelos governos do primeiro mundo ao qual, contra a nossa vontade, pertencemos, assim promete. Não é preciso lembrar as medidas que estão a ser tomadas. Menos sal no pão, menos tabaco nos locais públicos, mais atenção na comida para jovens e todo o resto. Na Inglaterra até ameaçam os reformados alcoólicos de lhes suspender os benefícios sociais se não assistirem aos serviços de prevenção contra o alcoolismo. É claro que todas estas iniciativas em prol da saúde dos cidadãos visam a diminuição dos gastos. Não faz mal. Todos sabemos que o bem pelo bem é coisa dum passado que nem sequer temos a certeza alguma vez ter existido. Agora, imaginemos esse mundo saudável do futuro. É previsível que a longevidade se estenda socialmente ao ponto de termos uma sociedade futura cheia, cheia de velhinhos. Não discuto que pode ser muito querido ter nos almoços familiares não apenas os avós, mas os bisavôs e até os tetravôs. Por outro lado menos querido será que as reformas e pensões, que são uma miséria, vão ser indefinidamente miseráveis e pagas durante muitas mais décadas do que o previsto no sentido comum do século passado que ainda nos rege. Significa isto que o que os governos poupam a médio prazo com as suas políticas saudáveis aquilo que será mais que gasto no futuro dos nossos filhos, netos e bisnetos. Eles vão viver num mundo cheio de velhinhos. Os velhinhos vão ocupar os transportes públicos da manhã à noite, vão ter tempo para passear de carro a qualquer dia da semana, as bichas até para tomar uma bica serão intermináveis com os milhões de velhinhos que adoram tomar café a qualquer hora do dia. Os nossos descendentes vão pagar impostos impensáveis nos nossos dias para poder alimentar essa multidão de reformados inúteis e sempre dispostos a falar com quem quer que lhes apareça pela frente. As casas de banho públicas e as dos nossos lares estarão sempre ocupadas pelos milhares que sofrem da próstata ou de incontinência. Os jovens hão-de se revoltar com a dificuldade de encontrar apartamentos livres para alugar. Todos os jardins de Portugal estarão sobrelotados de velhos a jogar às damas e velhas a tricotar para seres imaginários. Governos de todo o mundo: é preciso repensar a política da saúde. Isto pode ser o fim da macacada. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:27
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Comentários:
De ana cristina leonardo a 18 de Junho de 2009 às 13:35
Duas coisas e vou-me já embora
1. Esqueceste-te da eutanásia
2. O Bioy Casares já escreveu sobre esse futuro ao contrário. Não era nada tranquilizador


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