Terça-feira, 16 de Junho de 2009

O número de guardas prisionais recomendado pelo estatuto da classe não está a ser respeitado. Essa é a explicação dada pelo Sindicato dos Guardas Prisionais que, em declarações, diz que a falta de guardas pode ter facilitado a fuga de cinco reclusos este fim-de-semana, do Hospital Prisional de Caxias. Para bem de todos, os fugitivos foram todos recapturados. E, como é sabido, tudo o que acaba bem nunca começa mal. No entanto, com o devido respeito que tenho sempre pelas forças de segurança, guarda prisionais particularmente incluídos, discordo. Quem viu tantos filmes e séries de televisão com histórias de fugas sabe que o número de guardas não conta. O importante é como se usam. Sou dos que acreditam que a ficção ajuda a compreender a realidade. Um dos elementos comuns a todas essas histórias é pelo menos um dos fugitivos ter sido condenado injustamente. O facto de todos eles terem sido apanhados leva-me a concluir que eram todos culpados. Ao menos que reincidam nas tentativas de fuga e acabem por escapar definitivamente. Mas para mim é suficiente que tenham sido apanhados. Outro pormenor importante é que nessas histórias há sempre um guarda prisional particularmente cruel que com a sua atitude assanhada estimula inconscientemente a dedicação e o empenho para a fuga. Terá havido um guarda prisional especialmente severo, para não dizer ligeiramente sádico? Espero que não, embora a severidade nesta profissão tenha muito que se lhe diga e tenha de haver uma latitude compreensível pela sociedade dos desprotegidos. Uma outra condição nas histórias de fugas é que sempre há um líder ou master mind, que sabe mais que os guardas e os prisioneiros juntos. Prison Break é o exemplo mais actual que tenho. Ante tanta inteligência, o número de guardas prisionais não é importante. É por estas razões que, com o devido respeito, me pergunto se o efémero êxito da fuga podia ter sido neutralizado à partida com uma maior quantidade de pessoal como afirma o sindicato. Até que esta dúvida não seja resolvida, julgo que justificar a fuga de prisioneiros de uma prisão com tanta história como a de Caxias com a falta de guardas é dar uma má desculpa. Mal comparado seria como uma equipa de futebol a jogar só com onze jogadores. O sindicato devia declarar que a fuga aconteceu porque um dos prisioneiros era inocente, um dos guardas estava a ser muito mau com eles ou que a inteligência de pelo menos um dos fugitivos era insuperável. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:16
Comentar

Arquivo do blogue
Subscrever feeds
blogs SAPO