Quinta-feira, 31 de Janeiro de 2008
O bastonário da Ordem dos Advogados abriu o Ano Judicial como Clint Eastwood a entrar naquele bar no filme Imperdoável. Lembram-se? O Gene Hackman era o xerife vilão. Depois de ouvir o discurso do Dr. António Marinho até o mais corrupto dos corruptos deve ter chorado e gritado: "sou um lixo, sou um lixo" enquanto mandava vir outra garrafa de champanhe ao grumete do seu iate, ancorado na Sardenha. As duas top-models que estavam com ele na popa, temendo o pior, correram trinta metros para a proa para não incomodar. Sim, o senhor bastonário sabe magoar. Conta a lenda que o Procurador-geral da República, o Dr. Pinto Monteiro, desde aquele dia nunca mais saiu do seu despacho no Rato. Ficou, fechado, a ler todos os jornais saídos em Portugal desde o dia 25 de Abril de 1974 até aos dias de hoje, a tentar perceber de quem esteve a falar o bastonário. O povo também não ficou contente. "Porquê?" "Porquê?", todos perguntavam. A desilusão era enorme. Quem podia imaginar que tantos eleitos pelo povo e para o povo se tivessem deixado seduzir pela ganância. "Afinal, a culpa não é dos comunistas", diziam alguns rapazes de cabelo muito curto. "Nem dos fascistas", replicavam outros de cabelos compridos com charros nos lábios molhados pelas lágrimas. O Bastonário tinha ficado sozinho sem clientes nem amigos ricos. Felizmente esta história passou-se em Portugal. Uma semana depois e duas vitórias por goleada do Benfica e já ninguém se lembrava do discurso de abertura do ano judicial. Todos os portugueses casaram-se e foram felizes para sempre.


Publicada por Carlos Quevedo às 23:20
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Quarta-feira, 30 de Janeiro de 2008
Sócrates finalmente fez a remodelação do governo. Já não era sem tempo. É verdade que Mário "jamais" Lino ficou para segundas núpcias. Ou pelo menos o grande povo de Alcochete assim o espera. Apesar de tudo, os que não estão satisfeitos com esta mexida governamental não têm razão de queixa. O novo Ministro da Cultura, António Pinto Ribeiro, é inteligente, culto, fala cinco línguas, (nenhuma delas é o russo nem o chinês, que são línguas que inspiram desconfiança). Faz parte da Fundação Berardo, mas também ninguém é perfeito. É advogado mas como já disse ninguém é perfeito. Tem como clientes os Gato Fedorento, coisa que só lhe fica bem. Mas como todas as pessoas tem um esqueleto no armário: é advogado de Sá Fernandes. É do domínio público que Sá Fernandes é uma máquina de abrir processos: ele é o túnel do Marquês, ele é a Feira Popular, o Parque Mayer e assim por diante. Pinto Ribeiro vai ter de decidir entre a Cultura e Sá Fernandes. Não há lugar no país para os dois. Com a nova Ministra da Saúde Ana Jorge não temos este problema. Ela é médica pediatra e Deus sabe que, apesar de tudo, Sá Fernandes já não é uma criança. Ana Jorge tem um currículo respeitável que nos dá garantias de que suportará os futuros insultos próprios do cargo que ocupa. Contudo, tem uma nódoa no seu passado. Eu diria menos, uma nodoazinha: foi impulsionadora do Serviço 24, assistência médica telefónica, deixou-se influenciar por um desses génios do marketing e permitiu que o serviço tivesse o cognome infantil "Dói, dói, trim, trim". Convenhamos que é um nome pouco sério para um serviço dirigido às pessoas que estão a viver um mau momento. "Doi, dói, trim, trim"? Tenho a certeza de que são as crianças hipocondríacas que ligam à espera de ouvir o Batatoon a dar conselhos médicos. Fora isso, tudo bem e bem-vindos ao convívio.


Publicada por Carlos Quevedo às 23:49
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Terça-feira, 29 de Janeiro de 2008
Há um novo conceito estatístico no governo. A fórmula é se um organismo faz x procedimentos, é muito provável que pelo menos x menos um corram mal. A primeira vez que ouvi esta fórmula foi quando o director da ASAE, António Nunes, disse à comissão parlamentar, que era natural que sendo tantas as intervenções feitas por aquele organismo algumas fossem menos correctas que outras. Poucos dias depois ouvi o Ministro da Saúde, Correia de Campos, afirmar "que o INEM recebe 4500 chamadas por dia e podem nem todas correr bem". Oficialmente não foi dito, mas o Ministro das Finanças reconheceu que nem todos os processos de dívidas dos contribuintes foram executados com rigor. O mesmo acontecia com os reembolsos do IRS. Ao ouvir estes desabafos sinceros e doridos percebi finalmente aquele conceito do socialismo de face humana. Os nossos governantes reconhecem o erro e ainda por cima sofrem. Como dizia Clinton, (en inglês, claro): "Sinto a vossa dor". É lindo e comovedor. Faz-me lembrar a uma namorada que tive. Sempre que me fazia uma sacanice, voltava lavada em lágrimas, a contar-me e a pedir desculpas. Eu, carinhoso como sempre fui, acariciava os seus cabelos e dizia-lhe: "Não te preocupes, meu amor, das x vezes que fizemos amor, é normal que pelo menos x menos uma, te tenhas enganado". O amor, não é bonito?


Publicada por Carlos Quevedo às 23:25
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Continuando o raciocínio esotérico, cara Meditação na Pastelaria, o nome Marcelo Rebelo de Sousa tem vinte letras. Se dividirmos este número por três temos 0,666. Ringa alguma bell?


Publicada por Carlos Quevedo às 20:16
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Segunda-feira, 28 de Janeiro de 2008
Pode dizer-se, sem grande margem para erro, o que metade dos portugueses gostaria de ser quando fosse grande: o Ronaldo. O Ronaldo é alto, vive em Inglaterra, ganha milhões a jogar, é amado por multidões, das quais muitas dessas multidões, são mulheres e quase todas muito giras e, como se fosse pouco, é solteiro. A outra metade dos portugueses também gostaria de ser o Ronaldo mas vão ter de esperar até à próxima encarnação. Mas é pouco provável. Para consolar todos estes sonhadores de sonhos impossíveis só posso dizer que devem estar contentes com aquilo que são. Além de não terem alternativa, tudo podia ser pior. Por exemplo, quando fossem grandes ou numa futura encarnação podiam ser o líder do PSD. Deve ser neste momento o último sonho ou a última encarnação que um português gostaria que se tornasse realidade. O problema não é o dinheiro nem as mulheres, embora sejam argumentos fortes. A dificuldade de ser líder do PSD nesta ou noutra vida é a de simplesmente ter um lugar cativo no inferno. É uma maldição que a história confirma. Durão Barroso foi bem aconselhado pelo seu orixá. Com certeza trabalha mais agora do que quando foi Primeiro-ministro, mas viaja muito e conhece tudo o que é gente. Santana, esse animal político, não acreditou no mau-olhado. Marques Mendes achou que acabava com o enguiço. Menezes, por uma questão de alternância democrática, achou que o mandato do feitiço tinha acabado. Mas não. Seja quem for o líder do PSD, ele nunca ficará pela mesma razão que ninguém passa por baixo de uma escada ou fica sozinho num cemitério numa sexta-feira treze. E sabem quando tudo isto começou? Com o Professor Marcelo Rebelo de Sousa. O último líder do PSD que se foi embora por razões exclusivas da política. E sabem quantas letras tem "Rebelo de Sousa"? Treze. Não acredito em bruxas, mas que las hay, las hay.


Publicada por Carlos Quevedo às 23:20
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