Sexta-feira, 29 de Fevereiro de 2008
A moda agora está nas notícias políticas. Obama foi atacado com uma fotografia em que o podemos ver vestido de muçulmano com um muito jeitoso turbante. Está, sem dúvida, muito elegante. Mas tendo em conta a relação que os americanos têm com o Islão, parece que essa roupa não o favorece na corrida para a Casa Branca. Não sei se os americanos estão a perder o lirismo ou o sentido do humor. Imaginar um presidente americano vestido de califa a pôr os palestinianos na ordem tem tanto de poético como de Monthy Pyton. A um outro nível, na Holanda há também outro problema com a moda. Umas raparigas muçulmanas que usavam burkini foram expulsas de uma piscina pública. O burkini é um fato de banho preto colado ao corpo que só deixa descoberta a cara, parte do pescoço e os pés. Demais está dizer que é a coisa mais sexy que já vi na minha vida logo a seguir ao topless. Por os holandeses serem tão liberais acabaram por perder essa atracção irresistível pela insinuação, a suspeita das formas femininas escondidas numa roupagem semi-religiosa. Estas banhistas muçulmanas podiam competir – e certamente ganhariam! – com as freiras dominicanas em qualquer praia ou piscina sofisticada. Eu estou pela permissão e divulgação do burkini em todo o território português. Estou em pulgas por vê-las nuas, depois de estarem expostas ao malandreco sol de Verão. Estas esbeltas criaturas mostrarão os pés e a cara magnificamente bronzeados e o resto do corpo na sua fulgurante brancura nunca profanada pelo sol, e parecerão virgens celestiais. Fora isso, tudo bem.
Quinta-feira, 28 de Fevereiro de 2008
O relatório da Comissão Europeia afirmou que Portugal é o segundo país da União Europeia onde a pobreza infantil é maior. Eu fiquei chocado, abalroado e abobadado. Eu sabia que tínhamos os salários mais baixos. Sabia que o desemprego está a níveis superiores ao do mar do emprego. Sabia que ninguém tem nem para dar a cantar um cego, com excepção dos grandes gestores que mesmo assim também não dão nem ao zarolho da esquina. Mas crianças pobres? Em Portugal? Esta malta de Bruxelas sabe cada coisa… Íamos lá imaginar, quando vemos gente pobre, que as suas crianças também eram pobres. Há gente do piorio. Pais egoístas, é só o que vos digo! Sem dúvida que para termos as segundas crianças mais pobres da União Europeia, até os filhos dos ricos devem ser pobres. Do contrário não chegávamos a tais números. Pouca-vergonha. Não me surpreenderia nada que viéssemos a saber via Bruxelas, que até as crianças ricas têm aos seus irmãos mais novos a viver na mais profunda das misérias. E eu pergunto: porque é que temos tanta criança pobre? Com certeza é porque não trabalham. Ah, pois é. Muita revolução tecnológica e temos a miudagem toda colada ao computador a não fazer nenhum. E claro, Bruxelas, que não é parva, topa de longe. Os putos em Portugal não fazem nada, logo, são pobres. É uma sorte termos euro-gente especializada e euro-arguta a abrir-nos os olhos. E nós, euro-estúpidos, a não euro-perceber euro-nada. Fora euro-isso, tudo bem.
Quarta-feira, 27 de Fevereiro de 2008
O jornalista da SIC Rui Santos foi alvo de uma agressão feita por três homens encapuzados depois de acabado o seu programa Tempo Extra. O Correio da Manhã, com boas intenções claro está, fez um apanhado das declarações polémicas do jornalista naquela noite. Sobre Rui Costa disse: "Promoção apressada e prematura". Sem discutir a violência da afirmação, não vejo o Maestro a fazer justiça pelas próprias mãos. De Pinto da Costa: "Já não surpreende… como antigamente". Não acredito que o experimentado Presidente do FCP perdesse a cabeça por já não poder surpreender. Sobre o novo regime jurídico: "Silêncio dos clubes alimenta hipocrisia". Além de ser uma frase enigmática, isto para não dizer incompreensível, também não vejo os clubes ofenderem-se por tão pouco a ponto de mandarem mandar três matulões só para deixar de alimentar a hipocrisia. Por último, o imprudente Rui Santos afirmou: "O plantel do Futebol Clube do Porto está muito acima do Sporting e do Benfica". Esta declaração é de facto ofensiva e cruel. Mas como ficou demonstrado no domingo passado, ninguém imagina a gente do Benfica a fazer um trabalhinho que pode beneficiar ao Sporting nem a malta do Sporting fazer o mesmo pelos benfiquistas. Muito menos é de imaginar uma acção concertada entre os dois porque só beneficiaria o Porto. É, sem dúvidas, um caso bicudo. Para a nossa sorte. Contamos com Polícia Judiciária para desvendar este crime. Tenho a certeza de que desta vez os pais da Maddie não se safam. Fora isso, tudo bem.
Terça-feira, 26 de Fevereiro de 2008
O esforço do governo para simplificar a papelada e as deslocações a repartições estatais com a espera que isso implica parecem-me louváveis. Odeio participar nas bichas em geral. Nas longas em particular. Por isso sou um fã do Simplex em todas as suas formas e especialidades. Mas apelo ao governo para dar atenção a um pormenor que, segundo me parece, foi passado por alto. Falo das receitas dos médicos. Este pequeno papelinho tem uma importância fulcral nas nossas vidas. Ao que parece, as últimas regulamentações são impiedosas. Qualquer pormenor omitido, uma mínima coisinha rasurada ou uma data mal escrita são suficientes para que a nossa receitazinha vá recambiada para o local de origem. Podemos imaginar a angústia dos nossos compatriotas doentes obrigados a voltar a ver o médico. Ou nos casos dos pacientes impacientes mas com algum dinheiro, aqueles que são forçados a pagar os medicamentos na sua totalidade… Por amor de Deus! Desde que o mundo é mundo que os médicos se esforçam por ter a pior caligrafia do mundo. Só os nossos queridos farmacêuticos têm o curso completo de criptografia avançada, curso este que os habilitou a compreender os hieróglifos desenhados pelos médicos e nunca ninguém se queixou. O Simplex, como disse antes, é uma boa ideia. Mas, por exemplo: quantas empresas podem os portugueses fazer por dia? Quinhentas? Duas mil? Quantas receitas devem ser aviadas diariamente? Cinquenta mil? Oitenta mil? O que é que é mais urgente? Uma empresazinha que normalmente vai ir a falência dois anos depois ou um medicamento para o reumatismo que me anda a doer desde ontem? Convoquemos uma manifestação por sms para que as receitas fiquem no Simplex. Doentes unidos jamais serão doridos. Fora isso, tudo bem.
Segunda-feira, 25 de Fevereiro de 2008
Os famosos voos da CIA em que se transportavam prisioneiros desde o Afeganistão, o Iraque e outras regiões pacíficas e tolerantes do mundo, estão a tornar-se um problema complexo. Não porque tenham sido realizados com o conhecimento ou a ignorância dos países em que fizeram escala. Parece-me claro que todos sabiam. Não porque se tenham feito com autorização ou sem ela. Quando se está em guerra, há burocracias prescindíveis. Não. A complexidade do problema tem forma de mulher e o seu nome é a deputada pelo partido socialista no Parlamento Europeu, Ana Gomes. Todos conhecem esta senhora de modos doces e voz cristalina e atitude moderada. Estou a ser irónico, claro. Quem ouve as declarações desta deputada fica com os tímpanos desfeitos. Ana Gomes deve ser, entre os políticos, aquela que tem o recorde nacional de indignações por minuto. Quando Sampaio confirmou Santana Lopes, logo depois de Durão Barroso abandonar as suas funções de primeiro-ministro por outro emprego mais bem pago, Ana Gomes acusou o então Presidente de pôr a democracia em perigo. Agora com os tais voos da CIA, para não se zangar com Sócrates, desculpa-o afirmando que o homem está mal informado. Está a brincar: se há uma coisa de que não se pode acusar o primeiro-ministro é de não saber o que acontece a sua volta. Ana Gomes julga que o Partido Socialista está tentar "cilindrá-la", que até se ofereceram para a propor novamente como deputada no Parlamento Europeu caso decidisse calar-se. Sinceramente, julgo que o preço do seu silêncio é demasiado alto. No fim das suas últimas declarações deixa entrever a possibilidade de dedicar a sua energia no poder local. Particularmente em Sintra que onde reside. Acho bem. Peço aos sintrenses que se sacrifiquem pelo bem do País. Fora isso, tudo bem.