Quarta-feira, 30 de Abril de 2008
Parece que Pedro Passos Coelho conquistou o apoio da maioria dos militantes do PSD da distrital do Porto. A razão do seu êxito deve-se ao seu discurso moderado e de união. E também por ser uma cara nova na política. Foi o que afirmou em conferência de imprensa o fiel menezista e presidente da distrital, Marco António Costa. Rematou com um lapidar "o tempo não é de ambiguidades". Mas quando questionado pelos jornalistas sobre a sua posição pessoal, Marco António reiterou que "não é o momento para anunciar o seu apoio a um candidato". Eu acho maravilhoso o uso magistral da ironia subtil neste Marco António. Espera lá. Talvez esteja a falar a sério. Isto quer dizer que é possível que sendo Presidente da Distrital do Porto seja capaz do acto arrojado de votar noutro candidato… O que significa que o presidente da distrital pode ir contra o seu distrito… Humm. Este Marco António é um génio. Pode ser que chegado o momento crucial vote num inimigo de Luis Filipe Menezes o seu mentor, o seu amigo, o seu ídolo! Que audácia! Que independência política! Sobretudo se sabemos que ninguém vai querer um presidente distrital sem os votos do distrito. Marco António Costa vai valer só um voto. Mas que voto! Chegado o momento, o seu momento, terá confundido não somente os mais avisados comentadores políticos mas também os seus militantes e candidatos. Um golpe magistral. Minhas senhoras e meus senhores, acabo de descobrir um génio maquiavélico vindo directamente de Gaia. Professor Marcelo, os seus dias estão contados. Chegou o Marco António! Fora isso, tudo bem.
Terça-feira, 29 de Abril de 2008
Às vezes os problemas mais complicados resolvem-se com soluções simples. Por exemplo, Alberto João Jardim afirmou que solucionava todos os problemas do PSD se todos os outros candidatos retirassem as suas candidaturas. Outro exemplo, Sócrates afirma que se o PCP e o Bloco de Esquerda não tomassem o Partido Socialista como o inimigo principal, tudo podia correr melhor. Não foi com estas palavras mas julgo não estar a tergiversar o sentido. Eis também uma solução simples para um problema complicado. O desemprego é, sem lugar a dúvidas, um problema complexo além de dramático. Mas também deve ter uma solução simples, se a minha teoria estiver certa. Para já, devemos pôr de parte a criação de novos empregos. Esta alternativa, embora evidente, é de realização complexa. Devíamos para isso expandir as opções de produção, injectar capital e todas essas coisas que não estão ao alcance das nossas possibilidades. Esqueçam. A simplicidade caracteriza-se por estar mesmo à nossa frente e não nos apercebermos dela porque somos parvos. Quando li num semanário um artigo sobre um deputado socialista, fez-se uma luz que quase ceguei. Só vos digo duas palavras: Vitalino Canas. O tal deputado socialista que foi acusado pelo PCP por estar a infringir a lei de incompatibilidades profissionais com o seu estatuto de deputado. Vitalino Canas é porta-voz do PS. É advogado, Professor Universitário, deputado na Assembleia Municipal de Sintra, Administrador não-executivo da Companhia de seguros Sagres, Consultor Estratégico da Transdev, Consultor das Fundações Oriente, Aga Khan e Stanley Ho, do governo de Cabo Verde e da Missão Swaminarayan Hindu. Eu até aceito que o PCP esteja errado e que o Vitalino esteja certo. Mas ninguém me tira da cabeça que se deixasse metade dos cargos que ocupa já ajudava qualquer coisinha a descer a taxa de desemprego. Fora isso, tudo bem.
Segunda-feira, 28 de Abril de 2008
Aconteceu tanta coisa neste fim-de-semana que não sei por onde começar. Para não ser injusto com nenhum dos grandes protagonistas como a multidão de candidatos a futuro primeiro-ministro do PSD, o próprio actual Primeiro-ministro, o Ministro do Trabalho e o Tratado de Lisboa, vou baixar a bola e falar de segundas figuras. Por exemplo eu. Por razões familiares que não vêm ao caso, fui à praia, coisa que odeio, só para ter contacto com o povo. Como é natural a experiência foi horrível. Como sempre me aconteceu desde a minha tenra infância. Em menino já achava que os areais deviam ser divididos: uns para pais e outros para crianças. Em adolescente continuei a querer que os pais não estivessem no mesmo lugar do que as filhas. Mais tarde achei inaceitável partilhar a praia com os filhos dos outros. Agora não sei se me incomodam mais as pessoas mais magras do que eu ou as mais novas ou ambas as coisas. De todos modos, não gosto de praia. Até porque é de borla. Devíamos pagar para entrar. Não porque ir a praia seja bom em si, mas para sermos considerados consumidores de praia. Explico porquê: descobri duas coisas. A primeira é que existe um fenómeno que se chama "agueiro". É uma corrente que se afasta da praia e que é responsável por muitos afogamentos de nadadores inexperientes. A segunda é que, oficialmente, a temporada começa no dia um de Junho. Por isso ainda não há nadadores-salvadores para poderem ajudar os tais nadadores inexperientes. O resultado destas duas informações é que no 26 de Abril morreu um rapaz na Costa da Caparica apanhado pelo “agueiro” e sem nadadores-salvadores por perto. Se calhar, se fôssemos consumidores e pagássemos para entrar na praia, a ASAE preocupar-se-ia com coisas mais importantes do que ginjinhas ou colheres de pau. Fora isso, estou-me nas tintas.
Sexta-feira, 25 de Abril de 2008
Tendo em conta o "superior interesse" de Esmeralda, e por considerar que não está garantido que a entrega ao pai se fizesse sem custos demasiado elevados para o equilíbrio da saúde física da menina, a juíza do Tribunal de Torres Novas, Sílvia Pires, suspendeu a ida da criança para o pai biológico por mais 90 dias. Por mim, está bem. É discutível mas é uma decisão prudente. O mais provável é que o caso termine com uma espécie de custódia partilhada. No entanto, fiquei a pensar no futuro da Esmeralda. Imaginemos que os pais afectivos, que ainda são jovens, se separam e se casam com outras pessoas. Suponhamos que o pai biológico também se casa. A Esmeralda nessa situação vai ficar com dois pais afectivos, três mães afectivas e dois pais biológicos. Isto se a mãe biológica não se casar. Mas se se casar passará a ter três pais biológicos. Fora destas contas está o número possível de meios-irmãos biológicos ou não, tios biológicos e afectivos, primos e avós afectivos e dos outros. Este cenário, hoje em dia, é muito possível. A pergunta é: isto seria um risco para o equilíbrio da saúde mental da menina? Julgo que não. Quase todas as pessoas que conheço já passaram pela experiência dos divórcios e dos novos casamentos dos progenitores. No caso de Esmeralda, é certamente uma abundância de lares, mas quem pode assegurar que se trata de uma coisa má? Esta hipótese de múltiplos pais afectivos além dos biológicos não é assim tão disparatada como parece. E visto com alguma perspectiva comercial, um mundo cheio de pais abre possibilidades maravilhosas nos aniversários, festas de Natal e dentes debaixo da almofada. Fora isso, tudo bem.
Quinta-feira, 24 de Abril de 2008
O Secretário de Estado da Juventude e do Desporto afirmou que o subsídio de dois milhões de euros atribuído ao piloto Tiago Monteiro foi um "acto normal" e serviu para "apoiar participação de Portugal na Fórmula 1". Para mim, esta explicação é mais que suficiente. Argumentos não faltam. As mais belas páginas do desporto português foram escritas nos circuitos mais lendários da Fórmula 1. Foram emigrantes portugueses que as asfaltaram. Laurentino Dias, impaciente com os seus detractores, afirmou que os dois milhões de euros até são insignificantes: só dão para uma publicidade no retrovisor. Retrovisor esse que nem sequer é muito usado pelos pilotos portugueses. Nunca há ninguém atrás. Por outro lado, as piadas sobre portugueses feitas pelos brasileiros precisam de novo fôlego. E onde podem ir buscá-lo a não ser às corridas de Fórmula 1? Onde podemos começar uma história com "Um inglês, um italiano, um espanhol e um português estavam a apostar quem conseguia cuspir mais longe"? Só na Fórmula 1 podemos encontrar tal realismo. Dois milhões são pouco para comprar a imortalidade. Alias, é suficiente para nunca chegar primeiro. O que é bom, porque como é sabido, o importante não é ganhar mas competir. Não devemos esquecer que o Secretário de Estado da Juventude e do Desporto também deu subsídios para a representação portuguesa de judo. Não disse quanto, mas não deve ser muito. Não precisam. Quanto é que custa um fato de judo? Pouco. Além disso, com certeza já tinham. Certamente Laurentino Dias é um exemplo a seguir no desporto português. Fora isso, tudo bem.