Sexta-feira, 30 de Maio de 2008

Amanhã é o grande dia para os militantes do PSD. É impossível não associar estas primárias com as que se estão a realizar nos Estados Unidos. Mal comparando, claro. Infelizmente no PSD não há nenhum preto entre os candidatos. Seria mais fácil fazer previsões. Com certeza Manuela Ferreira Leite é uma mulher. Mas é mais fácil associá-la ao Yoda, o Yedi. O sábio pequenino todo verde que falava pouco na Guerra das Estrelas. Não podemos pensar nela como a Princesa Leya e muito menos como a determinada, fria e vingativa Hillary. Por outro lado, parece-me claro que Passos Coelho é um pouco Skywalker. Cara limpa, penteado impecável, um bocadinho betinho, muito respeitoso com os mais velhos. Sempre ansioso por aprender. Por acaso até devia estar sempre com um fato branco. Pedro Santana Lopes é sem dúvida Darth Vader, o mau da fita. Sobretudo para Pacheco Pereira e Marcelo Rebelo de Sousa, as duas eminências no conselho estelar que apoiam Yedi Ferreira Yoda Leite. Parece que Santana Lopes, como Darth Vader, não tem conselheiros. O homem, sozinho ou mal acompanhado, sempre dá luta. No entanto, se ganhar, terá Alberto João Jardim e Luís Filipe Menezes a seu lado. Curiosamente, se o vencedor for Passos Skywalker Coelho, também a dupla Jardim-Menezes não ficará menos contente, talvez até mais. Bem sei que todos perguntarão com a malévola aliteração: então, e o Patinha Antão? O homem é doutro filme. Ele é mais Sozinho no Espaço ou os Garanhões de Marte Atacam. Filmes com pouco orçamento. Mas, enfim, a analogia cinéfila termina aqui. Na Guerra das Estrelas, o fim era decidido num combate com espadas luminosas. No PSD os finais são ainda mais espectaculares: temos demissões, congressos extraordinários ou programas de televisão. Que a força esteja convosco. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:43
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Quinta-feira, 29 de Maio de 2008

Devo confessar que por vezes sinto uma enorme ternura por alguns políticos. Um pouco como quando a nossa filha nos diz que quando for grande quer casar connosco ou o nosso filho aos dez anos repete: "ó pai, já não sou uma criança". Todos estes sentimentos provocados pela inocência dos putos surgiram quando li no jornal que Pedro Passos Coelho acusava Vítor Constâncio de comprometer a independência do seu cargo ao fazer declarações "mais como socialista do que como governador do Banco de Portugal". Eu acho isto encantador. Vítor Constâncio a apoiar a politica do Partido Socialista? Deve ter sido o calor das eleições no PSD que o faz dizer disparates destes. Passos Coelho é muito novo e não se lembra que desde 1976 que Constâncio faz parte de quase todos os governos socialistas. Foi nomeado pela primeira vez Governador do Banco de Portugal, em 1986, por Mário Soares, foi líder do partido, candidato derrotado a primeiro-ministro. E nomeado mais uma vez como Governador do Banco de Portugal por Guterres. Só um trajecto como este pode tirar qualquer dúvida ao mais sectário dos sectários. Espero que Pedro Passos Coelho ganhe juízo. Um exemplo a seguir é o de Sócrates, categórico perante as críticas de Mário Soares a pedir que o governo socialista se preocupe com a pobreza e os problemas sociais. Por intermédio do indestrutível Vitalino Canas, disse. Esses problemas são prioritários e serão resolvidos. Agregando um malandro: "na medida do possível". Fez-me lembrar os nossos dezasseis anos. Os pais a darem ordem para voltarmos a casa à meia-noite. E nós a chegarmos às cinco da manhã. Mas a responder sempre com um respeitoso: "Sim, pai, sim". Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:52
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Quarta-feira, 28 de Maio de 2008

O escândalo da estadia em Portugal, com a detenção de Jean-Pierre Bemba em Bruxelas, não é nenhum escândalo. Resumidamente pode dizer-se que o Ministério dos Negócios Estrangeiros fizeram aquilo que lhes competia e que foi facilitar a entrada em Portugal de Bemba, por conselho de diversos organismos internacionais. O Ministério da Administração Interna também fez o que devia: avaliou se o homem precisava de segurança especial ou não. Precisava. Na sexta-feira passada foi emitido o mandado de captura. Em Portugal as sextas-feiras contam como se fossem Sábado. Era normal que se esperasse até segunda-feira para saber se Bemba podia receber os agentes da autoridade para efectuar a sua detenção. Mas Bemba, que será africano mas não é estúpido, decidiu estupidamente viajar via Bruxelas vai-se lá saber para onde. Foi ali apanhado, mais precisamente no sex-shop do duty-free do aeroporto. O único problema desta história, além da veneração dos portugueses pelos fins-de-semana prolongados, foi que os Negócios Estrangeiros não sabiam o que é que os tipos da Administração Interna tinham feito para facilitar a estadia do nosso ilustre e talvez criminoso visitante. Dali advêm todas as respostas ignorantes e contraditórias do Ministro Luis Amado mas mal penteado. No fundo tudo foi um exemplo de falta de comunicação entre ambos os ministérios. Com o atenuante óbvio: coisas como esta não podem acontecer no fim-de-semana. Espero que este episódio lembre os nossos representantes na União Europeia, Tribunal Penal Internacional incluído, de exigir que nada de urgente que tenha que ver com Portugal se decida depois de quinta-feira. Perdão, quarta-feira é mais seguro. Na Sexta, não dá. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:44
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Terça-feira, 27 de Maio de 2008

Nestes dias, desculpem, nesta vida actual, os estudos de opinião e as sondagens tornaram-se o verdadeiro quinto poder. Não me perguntem quais são os outros quatro porque já não me lembro. Continuemos. O jornalismo com os seus comentadores, eu incluído, não é já o que foi. Felizmente, para todos eles, eu incluído, estes estudos e sondagens são tão pouco importantes como em tempos gloriosos foi o jornalismo e os seus comentadores, grupo em que novamente me incluo. As eleições internas no PSD são literalmente o ganha-pão de todas essas telefónicas e estatísticas cabeças. As certezas que nos dão são inacreditáveis. Por exemplo: quem podia imaginar que Manuela Ferreira Leite era a candidata mais séria e respeitável? Nem que tivéssemos uma second life, ou mesmo terceira life, teríamos chegado a esta conclusão imprevisível. Podemos tornar a coisa mais interessante e apostar o décimo terceiro mês que o segundo candidato mais perigoso se chama Pedro. Ora deixa cá ver as sondagens… Pois, ganhamos. Nem sempre as sondagens são tão fáceis de antecipar. Ontem li no Diário Digital um estudo feito pela Growth for Knowledge que afirmava que, embora os portugueses gostem muito de sopa, descobriram que no Verão o consumo desce consideravelmente. Imaginem que só uns 43% continuam a comer sopa nos meses de calor contra cerca de 70% que não prescindem dela no Inverno. As pessoas que fazem o estudo, que devem ser finlandesas, ficaram ainda mais confusas quando 90% dos inqueridos reconheceram que sabem que a sopa é fundamental numa alimentação saudável. É por causa de estudos como este que pessoas como Patinha Antão não desistem de ser candidatos à liderança do maior partido da oposição. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:31
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Segunda-feira, 26 de Maio de 2008

"Tribunal condena jovens por praxe com excrementos" foi o título apelativo que li ontem num jornal. Não é todos os dias que podemos ver as palavras "tribunal" e "excrementos" na mesma frase, sem que o jornal corra o risco de ser processado. O caso remonta ao ano de 2002. Um grupo de sete, na altura, jovens estudantes da Escola Superior Agrária de Santarém, submeteu uma caloira a uma praxe em que abundaram os tais excrementos. Foram condenados a multas entre os seiscentos e quarenta e os mil e seiscentos euros. Por mim, até me parece barato o preço que estes palermas pagaram por besuntar uma pessoa com excrementos. Mas o problema não é esse. O próprio director da escola na altura, Henrique Santos Cruz, afirmou em tribunal que era normal a utilização de "bosta" nessas praxes, o que significa que por ele nada de novo havia a assinalar. No entanto, aquilo que para o director da escola foi uma praxe normal, para o juiz foi um crime de ofensa à integridade física qualificada. Por outras palavras, torturaram a rapariga. É extraordinário que se tenha de chegar aos tribunais até para perceber o nome daquilo que fizeram à caloira. Aquando do célebre caso da aluna, o telemóvel e a professora de francês também se falou em ir para a Justiça. Será que nos estabelecimentos de ensino não há homens? Claro que digo "homem" no sentido tradicional da palavra. Também posso dizer que já não há mulheres, mas não soa bem. Seja como for, esta falta de "atributos" nas pessoas que dirigem estes estabelecimentos de ensino é deprimente. Pergunto-me se não seria mais prático, para poupar tempo, pôr um tribunal em cada escola. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:37
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