Sexta-feira, 28 de Novembro de 2008

Este mês de Dezembro que se aproxima é para comprar pipocas e não sair da frente do televisor ou da rádio. Vejam bem todos os desenlaces que nos esperam: o final electrizante do julgamento do caso da Casa Pia. A resposta à pergunta quem fez o quê no BPN. Saber finalmente se a nossa economia sempre vai estagnar menos que as economias que sempre se armaram em boas e nos olhavam de cima. Quanto é que vai conseguir sacar o Banco Privado Português. Já para não falar do PSD, que todos os dias nos brinda com momentos memoráveis ou a mal avaliada história da ministra má e os cento e vinte mil professores. Para estarmos com energia para os dias emocionantes que nos esperam, vamos falar das pequenas coisas da vida. Ou, melhor ainda, das pequenas coisas das vidas dos outros. Houve uma pequena notícia que me chamou a atenção. Um jornal inglês publicou uma fotografia em que víamos o príncipe Harry, o filho mais novo do príncipe Carlos e de Diana, a cantar o hino nacional do Reino Unido antes dum jogo de rugby, e Chelsy Daivy, a sua namorada sul-africana, a rir durante o solene momento. Para muito boa gente esta atitude foi escandalosa. Escusado será dizer que Harry só chegará a ser rei se o seu irmão William herdar a má sorte da mãe. Caso contrário, e se tiver os genes do pai, Harry poderá passar o resto da sua vida a fazer safaris. Mas isto não tem nenhum interesse. O interessante seria saber de que se ria a rapariga. Sendo ela sul-africana, não foi o seu riso não provocado por algum aparte subtil. Os sul-africanos podem ter virtudes que desconheço, mas a subtileza não é com certeza uma delas. É possível que Harry seja desafinado, mas não deve ter sido a primeira vez que a rapariga o ouviu cantar. Atrevo-me a sugerir algo mais contextual, se me dão licença. Harry estava a cantar o tal hino que começa com God save our gracious queen! Long live our noble queen! O que significa que Deus zele pela nossa rainha e que tenha uma vida longa. Ora bem, ouvir quarenta mil pessoas, neto incluído, a cantar que Deus cuide da avó, e que a avó continue viva por muitos e bons anos, tem a sua graça. Gosto da sul-africana. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:32
Comentar | ver comentários (2)

Quinta-feira, 27 de Novembro de 2008

Estou convencido de que é muito difícil, após tantos milénios de civilização, inventar alguma coisa nova. Sobretudo em termos criminais. Não conto, claro está, com os crimes financeiros ou estupidamente chamados crimes de colarinho branco. Estes crimes renovam-se sempre e aperfeiçoam-se. Os crimes violentos é que são sempre os mesmos, sejam com facas ou com pólvora ou com as chapadas ancestrais. Uma coisa relativamente nova é apenas o conhecimento destas ocorrências duma maneira mais acessível. Nenhum jornal do século dezanove podia sequer se aproximar ao nosso Correio da Manhã ou ao 24 Horas. Curiosamente, agora que temos mais informação parece que temos menos amigos ou familiares. É a única explicação sucinta que encontro para a proliferação de linhas SOS. Anunciaram que está a ser preparada a uma linha telefónica de apoio aos pais que são maltratados pelos filhos, que deverá denominar-se SOS PAIS, para apoiar as vítimas deste problema cada vez mais frequente ou, pelo menos, cada vez mais divulgado. As linhas SOS são muitas. Há para todos os gostos ou para ser mais exacto para quase todo o tipo de vítimas. Digo “quase” porque ainda faltam algumas, como por exemplo irmãos mais novos maltratados pelos irmãos mais velhos, sportinguistas maltratados pelos árbitros, deputados dos verdes maltratados pelo Sócrates, e muitas outras minorias maltratadas por outras maiorias abusivas. Não conheço os resultados destes serviços de apoio às vítimas mas acredito que mesmo que a percentagem de sucesso seja mínima, justifica a sua existência. Mas não deixa por isso de ser uma vergonha que uma pessoa maltratada só possa falar com um desconhecido. Vá lá que ainda não houve um génio da gestão de recursos humanos que não teve a ideia de centralizar as linhas. Seria um horror ligar e ouvir uma voz a dizer: se foi espancada pelo marido, prima 1. Se foi abusado por um dos seus pais, prima dois se é rapariga, prima três e assim por diante. Pelo menos ainda não chegamos aí. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:30
Comentar

Quarta-feira, 26 de Novembro de 2008

A separação entre o Bloco de Esquerda e José Sá Fernandes foi oficializado. Amparados na nova lei do divórcio, os bloquistas não foram cá em conversas e a cisão foi decretada. Ninguém ficou com a culpa mas todos sabíamos que não se davam bem na Câmara de Lisboa. Sá Fernandes acusa o Bloco de não aprovar as suas relações com o PS. Pela sua parte, o Bloco acusa Sá Fernandes de estar sempre com o PS, de falar do PS e de elogiar tudo o que faz o PS na Câmara. Concordo que não há matrimónio que aguente tanta pressão. A pergunta que se impõe é se o Zé Fernandes é um adúltero ou se só faz género para tentar reavivar a chama do Bloco. Também é possível que o seu verdadeiro amor tenha sempre sido o PS e, por despeito ou solidão, tenha ido com o Bloco para a Câmara e mais nada. Com certeza o Zé vai querer continuar amigo do Bloco. Será que o Bloco poderá suportar uma relação com o Zé sem Câmara nem nada? Duvido. O Bloco de Esquerda é jovem e os jovens querem lá saber de relações platónicas e intelectuais que não tenham alguma acção, e muito menos sem Câmara. Mas o que fará o PS uma vez conquistado o Zé? A rotina mata a paixão, toda gente sabe disso. Por mais giro que seja o Zé, o PS vai sempre encontrar alguém mais giro, mais incorruptível e que seja tão bom ou melhor na Câmara que Sá Fernandes. E sobretudo que não tenha passado pelas mãos do Bloco. O Bloco não é nada apreciado no PS. Só a imagem de ver Sá Fernandes mesmo a tomar o pequeno-almoço com o Luis Fazenda e jantar depois com o Francisco Louçã pode dar voltas ao estômago de Sócrates. Claro que o estômago de António Costa é mais sabido e aguenta mais. Mas é duro saber que o Zé é um desses que vai com o Bloco para Câmara um dia, e no dia seguinte, voilà!, está na Câmara com nada mais nada menos que o patrão a admirar a frente ribeirinha. Já os estou a imaginar, românticos, a contar os contentores: gosta de mim muito, pouco, nada. E vão três. Gosta muito, pouco, nada. E vão seis. Assim sucessivamente, até mais não poder ver o Tejo. O amor é uma coisa bonita. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:39
Comentar

Terça-feira, 25 de Novembro de 2008

No último fim-de-semana houve vários exercícios de simulacro de sismo na zona de Lisboa e arredores. O balanço final foi que há falhas de comunicação entre as diferentes organizações e instituições que dependeriam da Autoridade Nacional de Protecção Civil. Nada que nos surpreenda. Falhas de comunicação é coisa que não nos falta, mesmo em momentos muito mais calmos do que aqueles que se poderão viver no meio dum sismo. Mais assustador para mim é que a visita do Presidente da Federação russa, Dimitri Medvedev, tenha provocado mais perturbação nos lisboetas do que qualquer simulacro de sismo, mesmo com a magnitude de 6,7 na escala de Richter. Francamente não percebo porque é que os organismos que devem actuar em caso duma catástrofe daquelas têm de publicitar os seus simulacros ou mesmo de os fazer em lugares públicos com gente da área. Parece-me justo que a terem de fazer um ensaio de tremor de terra numa cidade, que levem a que todos os habitantes participem de modo a que todos saibam depois o que fazer. Senão, há pessoas que podem julgar que são excluídas ou que outras foram escolhidas para sobreviver. Por outro lado, como julgo que é impossível parar uma cidade para que a Protecção Civil descubra que tem uma deficiente gestão de informação e outras incompetências, parece-me mais económico para todos que eles façam os seus simulacros no Ribatejo, onde não incomodam ninguém. Podiam aprender a técnica com as nossas Forças Armadas. Desde o século passado sabemos que em caso de guerra é inevitável que as populações civis não sejam poupadas. No entanto, fazem os seus exercícios militares sem nos incomodar nem nos informar das suas fragilidades nem que têm falhas de comunicação. A Protecção Civil deve aprender a fazer as coisas sem provocar o pânico na população. Se têm problemas, nós não queremos saber. Só queremos que os resolvam. Já temos trabalho suficiente a convencermo-nos de que não vivemos numa zona sísmica. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:31
Comentar

Segunda-feira, 24 de Novembro de 2008

O encontro entre Dias Loureiro e António Marta sobre o tema do BPN está a provocar a polémica que todos sabem. Quem disse o quê parece ser a primeira preocupação. O semanário Expresso titulou, no meu entender de uma maneira errada, com a pergunta: “Quem mente no caso BPN?”. Disse errada porque a pergunta correcta é saber qual é a verdade. Não é um trocadilho de lógica; é apenas uma verificação dos factos. Se Dias Loureiro disse o que disse ou se tivesse dito o que Marta diz que disse, a única verdade indiscutível é que os dois estão de acordo num aspecto: ambos falaram do BPN. Isto foi em Abril de 2002. O que pode significar só duas coisas: ou que o ex-vice-governador do Banco de Portugal foi informado pelo ex-ministro de Cavaco Silva da sua apreensão pela administração do BPN ou que António Marta já sabia na altura que aquele banco merecia uma investigação. Seja o que for que foi dito uma coisa é certa: há mais seis anos o Marta pouco fez para esclarecer a falta de transparência da tal administração bancária ou pouco fez para acelerar a investigação. A preocupação mostrada pelo Dias Loureiro naquela reunião, seja por causa da falta de investigação às contas do BPN ou por excesso de vigilância por parte do Banco de Portugal, só prova que Dias Loureiro estava apreensivo. Sentimento este que se aplica a qualquer pessoa que estivesse no seu lugar. Mas os seus sentimentos ou palpites são indiferentes para nós. Não para a Polícia, claro. Menos compreensível é que António Marta, na altura vice-governador do Banco de Portugal, sabendo o que disse – que sabia a reconhecida existência de falta de transparência do banco – ou sendo informado pelo Dias Loureiro naquela reunião, que havia motivos de preocupação pelo BPN, não tenha tomado nenhuma decisão visível que mostrasse o seu empenho profissional ou a sua função fiscalizadora. Isto pode não ser importante para a Polícia, mas é importante para nós. Seis anos para indiciar uma administração de actividades ilícitas é muito tempo. Nem que o BPN fosse a Casa Pia. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:36
Comentar

Arquivo do blogue
Subscrever feeds
blogs SAPO