Sexta-feira, 30 de Janeiro de 2009

Fiquei muito impressionado com as notícias que nos chegam do México. Mais de setecentas pessoas morreram só na zona de Tijuana relacionadas com o tráfico de droga. Cinco mil e setecentas em todo o território mexicano, sem contar com aquelas que morreram vítimas de outros pecados. Bem sei que para as pessoas que vivem nas zonas de conflito de Lisboa, Porto, Almada e outras, isto não impressiona muito. Mas oiçam mais esta: “O mexicano Santiago Meza Costa dissolveu trezentas pessoas em soda cáustica”. Disto não temos cá na nossa terra. Não é surpreendente que o Congresso daquele país esteja a debater a hipótese de restabelecer a pena de morte para alguns crimes. Mas há um pormenor que merece ser mencionado antes de discutirmos se a pena de morte é boa ou má. Um dos partidários mais activos pelo seu restabelecimento é o Partido Verde Ecologista do México. Quando reparei nisto pensei que já não se podia confiar em ninguém neste mundo. Quer dizer, eu próprio tento ser um amigo do ambiente. Frequento o vidrão, o papelão, o pilhão e mais o outro que é amarelo. Isso não significa que jante com ecologistas. Para mim, os verdes, quando não são comunistas, partido que me merece tudo o respeito, são netos dos hippies que, embora sujos e promíscuos, são muito calmos, muito deixa-estar. No fundo é boa gente, apesar do diletantismo galopante. Que os ecologistas mexicanos promovam a pena de morte foi para mim um choque. Que tenham tido como antepassados os maias que faziam sacrifícios humanos não é desculpa. Uma coisa é matar um ser humano para termos uma boa colheita, uma pirâmide nova ou para os espanhóis não nos matarem. Outra é andar a proteger os passarinhos, os golfinhos e os híbridos e, depois, à primeira grande decepção com o género humano, apregoar as vantagens da pena de morte. Calma. Fumem um charro ou uma dessas coisas de que gostam e deixem esta discussão para os adultos. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:59
Comentar

Quinta-feira, 29 de Janeiro de 2009

Luís Filipe Menezes afirmou que acredita na seriedade do primeiro-ministro e que não duvida do seu comportamento ético. Não posso estar mais de acordo com o ex-líder do PSD. Até porque neste tipo de casos normalmente o acusado não é culpado, a não ser, no pior dos casos, de excesso de confiança. Os amigos da onça, ou os tios da onça, foram e serão o problema de muita boa gente que anda por ali a governar. O problema deste voto de confiança de Menezes é o facto de vir precisamente de um ex-líder do PSD. E como qualquer ex-líder desse partido, é capaz de tudo só para chatear o actual líder. Estar na oposição dentro do PSD, quando se está habituado a mandar um deputado do partido a trazer-lhe um café, enlouquece qualquer um. Não digo que Luís Filipe esteja doido. Só que esse comportamento faz parte da experiência traumática de ter sido número um nacional e passar a ser número trezentos e cinco. Por outro lado, não é de bom-tom andar a fazer jantares de desagravo, pôr as mãos no fogo pelo arguido ou afirmar coisas como “se ele é culpado de tal coisa, então também eu sou culpado”, enquanto decorre uma investigação criminal. Não esqueçamos como um amigo da onça de Carlos Cruz, também chamado Carlos Cruz, enterrou o nosso Carlos Cruz. Mas não é o caso neste momento. Se eu fosse José Sócrates, e Luís Filipe Menezes me viesse dar o seu apoio, diria como é hábito nos debates no Parlamento: “não recebo lições de ninguém sobre este assunto”. O que adaptado para este momento seria: “não aceito provas de confiança nem de fé na minha seriedade de ninguém. E muito menos dum senhor ex-líder dum partido da oposição”. Tendo em conta a recente experiência familiar do nosso Primeiro-ministro, ele não se devia deitar nos braços de um qualquer ex-líder partidário que lhe ofereça colo e confiança. Eu cá só aceitava mimos de pessoas mais estáveis, como o Presidente da República, o líder do PCP, o director da Gulbenkian, a minha Mãe, o Cardeal Patriarca; enfim, pessoas sérias. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:49
Comentar | ver comentários (3)

Quarta-feira, 28 de Janeiro de 2009

A reportagem sobre a Madeira e Alberto João Jardim publicada pelo diário “El País” de Madrid foi muito noticiada. Em Espanha, claro. A comparação com Kadhafi, por este ser o único líder mundial que rivaliza em longevidade com o nosso Alberto João, embora sem eleições democráticas, fez manchete em alguns jornais portugueses. A reportagem estava razoável, tendo em conta que foi feita por estrangeiros. Nada do que foi escrito surpreende nenhum português continental. Talvez uma coisa ou outra podia ter espantado algum madeirense, mas acho pouco provável. No entanto, foi tão divulgado que parecia que os castelhanos tinham descoberto o Japão antes de nós. Coisa que sabemos não ter acontecido. A reportagem escrita num espanhol correcto, tenho de reconhecer, enumerava as virtudes e os defeitos de Alberto João. Movidos pela inveja, julgo eu, dedicaram mais tinta aos últimos. Desde que esteja bem escrito e com educação, por mim, não tenho nada contra. Contudo, lembrei-me da noite das últimas eleições americanas. Vi-as pela CNN em companhia de amigos, entre eles um casal luso-americano. Ela, a parte americana do casal, democrata desde sempre e obamista desde a primeira hora. Enquanto esperávamos pelos resultados víamos outros canais, Al-Jazeera, BBC, France 24, SIC Notícias e assim por diante. Todos esses canais ou estavam a transmitir os momentos mais ridículos de Bush ou entretinham-se a proferir diatribes muito violentas sobre o dito rapaz. A minha amiga americana, duma tolerância infinita, comentou: “Eu odeio o Bush, mas uma coisa é sermos nós, americanos, a falar ou rirmo-nos dele; a outra é isto que estamos a ver. Desculpem, mas é mais forte que eu.” Todos achámos normal. Com o Alberto João Jardim aconteceu-me a mesma coisa. Para o bem ou para o mal, o Alberto João Jardim é nosso. Só nós o podemos criticar. Enfim, os madeirenses podem criticá-lo. Ou melhor, talvez alguns madeirenses o possam criticar. E, se não o criticam, tenho a certeza de que o próprio Alberto João tem um grande sentido de autocrítica, embora ele próprio não goste de andar por aí a divulgar as suas opiniões. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:58
Comentar

Terça-feira, 27 de Janeiro de 2009

O candidato do PSD à Câmara do Seixal, Paulo Edson Cunha, quer ganhar aos comunistas, que há mais de trinta anos conquistam a eleição. É sem dúvida uma ambição legítima. Para concretizar o seu objectivo, Paulo Edson Cunha quer seguir os ensinamentos do seu ídolo Barack Obama. Para começar adoptou o famoso “Yes, I can” na versão nacional. “Sim, nós (também) conseguimos”. O “também” está graficamente apresentado como se estivesse dentro de parêntesis. O candidato assume que é uma estratégia de marketing político. Embora admita que, além da sua convergência política com Obama, as suas parecenças físicas com o actual Presidente dos Estados Unidos tenha ajudado à escolha do slogan. Eu já tinha intuído isto quando vi que o candidato se chamava Edson. No entanto, só posso certificar que Paulo Edson Cunha tem ascendência africana mas é tão parecido com Obama como eu sou igual ao Brad Pitt. Quem o tenha convencido do contrário é com certeza uma dessas criaturas que acham que os chineses são todos iguais. Usar uma frase de campanha similar à de Barack só indica a pouca imaginação dos publicistas de Edson, mas nada mais que isso. O maior êxito do Raul Solnado foi um texto do espanhol Gila. As melhores canções do Marco Paulo foram sucessos noutros países antes de serem lançadas por ele. Não vem daí nenhum mal ao mundo. As perguntas a fazer são as seguintes: qual será o efeito Obama no Seixal? Será que os comunistas conseguiram superar a dinâmica de vitória vinda da América? Edson estará à altura do seu slogan? Receberemos prisioneiros de Guantánamo no Seixal? Quem será o vice-presidente da Câmara do Seixal? Escolherá um político branco com experiência ou uma autarca desconhecida trasmontana? Os portugueses do Seixal farão das próximas eleições autárquicas um manifesto anti-racista? O PC fará menção de um alegado passado muçulmano de Edson? Não sei. Não respondo. Mas Paulo Edson Cunha pode ter aberto mais uma questão fracturante e transversal na Câmara do Seixal. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:55
Comentar

Segunda-feira, 26 de Janeiro de 2009

Felizmente nem tudo é Freeport nesta vida. Há também outras notícias que ajudam a passar os momentos difíceis que estamos a viver. Li uma delas hoje no Diário de Notícias. Segundo conclusões de estudo sueco, nas espécies animais em que as fêmeas são infiéis, os machos têm espermatozóides maiores e mais rápidos que nas espécies monogâmicas. Embora não seja preciso ser sueco nem cientista para chegar a esta conclusão, é bom saber que todos estamos de acordo. O senso comum diz-nos que só com treino se consegue saltar mais alto, correr mais rápido e ser mais fortes. Aplicar esta popular lei olímpica a todas as nossas actividades é mais que suficiente para chegarmos à mesma conclusão dos suecos gastando, em princípio, menos dinheiro na pesquisa. A originalidade deste estudo é a de afirmar, sem rir, que a culpa é das fêmeas promíscuas. A explicação é que os machos aprendem que elas são adúlteras. Se é que se pode falar de adultério no reino animal não-humano. Isto significa que para se reproduzir a competição não acaba no cortejo e continua no canal uterino ou como diabo se chama a rua interna que leva à fecundação. Daí que os espermatozóides tenham de ser citius, altius e fortius em comparação com os seus adversários. Mas o que torna esta descoberta dos totós suecos mais interessante é a tal culpa que atribuem à promiscuidade das raparigas: às raparigas animais não-humanas, claro. Tão interessante que a própria jornalista que escreveu a notícia acaba o artigo a dizer: “Este estudo é especialmente relevante devido à quantidade de espécies diferentes analisadas. Os peixes, apanhados em lagos na África, representam diferentes comportamentos de acasalamento, dos machos monogâmicos até às fêmeas que acasalam com muitos, muitos machos”. Reparem no final: “muitos, muitos machos”. Elas, de facto, não-humanas ou não, são todas umas vagabundas. Coitadinhos dos machos. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:54
Comentar

Arquivo do blogue
Subscrever feeds
blogs SAPO