Terça-feira, 31 de Março de 2009

O atraso de José Sócrates à ópera no Centro Cultural de Belém foi muito falado. Qual grande penalidade numa competição desportiva portuguesa o incidente suscitou muita indignação. A mais óbvia foi que o público presente vaiou as autoridades pela atitude de desrespeito da demora provocada. Foi injusto. Segundo fontes próximas de Sócrates, o responsável pelo atraso foi José Maria das Neves, primeiro-ministro cabo-verdiano, e que o nosso só chegou dez minutos depois da hora prevista e apenas ficou à espera da chegada do seu homólogo. Há uma explicação mais conservadora da conduta pouco civilizada do selecto público presente: os responsáveis do CCB não deviam ter esperado pelos ilustres convidados e deviam ter começado a hora marcada com ou sem eles. Também acho injusto. A ópera era de Cabo Verde, obra de António Tavares, coreógrafo, bailarino e músico cabo-verdiano. Julgo que José Maria das Neves fazia parte do espectáculo e, portanto, a sua presença era imprescindível. Mais uma vez a falta de civilidade do público selecto presente é indiscutível. Gostava de acrescentar mais um reparo à injustiça a que Sócrates, a sua namorada, a comitiva e o seu homólogo africano, foram vítimas ao serem vaiados pelo público selecto ali presente. Em Portugal ninguém chega a horas a lado nenhum. Ainda menos para presenciar uma ópera cabo-verdiana, a qual, segundo os especialistas, se tratava de “um espectáculo pluridisciplinar de dimensão operática, onde a música e o movimento vivem de tensões entre a suavidade onírica e o ritmo energético, reflexo da intensidade e dramatismo da narrativa”. Se isto não é uma desculpa para chegar atrasado, vou ali e já venho. Por outro lado é importante salientar que todos os comentadores deram por garantido que o nosso primeiro-ministro foi vaiado só por ter chegado com meia hora de atraso. Ninguém discutiu este motivo. Julgo que este pormenor foi uma vitória de José Sócrates e uma confirmação de que o Governo está no caminho certo. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:31
Comentar

Segunda-feira, 30 de Março de 2009

A campanha eleitoral para o Parlamento Europeu irá decorrer entre 25 de Maio e 5 de Junho. No domingo, 7 de Junho, vamos às urnas. Como é sabido as eleições para a Europa são por tradição e bom senso as menos participadas. No entanto, são marcadas para um dia em que sabemos que só se chover, se não houver bola e a televisão não funcione, é que pode esperar que a abstenção seja inferior a sessenta por cento. Julgo que se o governo e os partidos políticos estivessem deveras interessados na representatividade eleitoral deviam evitar mudar as datas. Tenho várias sugestões. A mais óbvia é fazerem as eleições no meio de semana sem direito a ponte. Só com tolerância de ponto. Isso já ajudava. Outra possibilidade seria marcar a data de acordo com o estado climatérico de Portugal. Por exemplo, no primeiro dia em que chovesse em Junho haveria eleições para o Parlamento Europeu. Outra alternativa podia ser marcar para uma quinta-feira e conceder a sexta-feira livre para ir à praia só àqueles que votassem. Outros incentivos podem ser aplicados apesar de serem moralmente discutíveis. Por exemplo, deslocar as mesas de votos para lugares mais de acordo com a época, tais como praias, lugares de recreio, parques e jardins, em particular os jardins da Gulbekian. Estender os horários, abrindo as urnas no sábado à noite e acabar na segunda-feira até ao meio-dia. Fazer arraiais perto das mesas de votos ou almoços populares pagos pelos interessados, neste caso os partidos. Enfim, julgo que há muitas possibilidades ainda por explorar. A de que mais gosto é um serviço de entrega a domicílio. As pessoas marcam a hora que lhes dá jeito e um funcionário devidamente identificado e acompanhado por um fiscal imparcial e nomeado pela mesa de voto ou outra autoridade competente aparece com uma urna e os boletins de votos e pronto. Acabou-se a abstenção e a democracia estará servida. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:46
Comentar

Sexta-feira, 27 de Março de 2009

Em tempos de crise e falta de dinheiro não nada mais refrescante do que nos metermos na vida dos outros. Tive uma tia que foi feliz toda a sua longa vida graças a interessar-se mais pelas histórias das irmãs que pelas dela. Se funcionou com ela deve funcionar connosco. Bem, há uma velhinha belga que vive na Bélgica e tem 93 anos. Agora está a fazer greve da fome porque quer morrer e não a deixam. Já tentou o suicídio mas, obviamente, deve se ter esquecido dalgum componente ou dalguma parte do procedimento. A questão é que continua viva. As leis belgas para a execução da eutanásia não consideram as pessoas que apenas não querem viver. Só aceitam o costume: doenças terminais, má qualidade de vida, sofrimentos insuportáveis e assim por diante. Uma velhinha farta de viver não é desculpa para ter direito a uma morte assistida. Na Bélgica já começou a polémica, o debate e as indignações por ambos os lados da discussão. É normal num país civilizado e rico. Nunca percebi porque é que a Bélgica é rica, mas esse é outro problema. Voltando à senhora Amelie Van Esbeen, que é assim como se chama, o caso suscita-me várias reflexões. A primeira é que a senhora é mesmo rija. Não é qualquer um que naquela idade ainda tem energia para fazer greve da fome. A segunda é que o facto de ter tido já uma tentativa de suicídio falhada foi um sinal de que estava errada. Aliás, não deve ser preciso muito para morrer aos noventa e três anos por vontade própria. Devia ter percebido que a sua hora ainda não chegou. A terceira é que estou de acordo que a eutanásia não seja exequível só porque alguém não quer viver. Depois dos noventa, as pessoas vêem tudo duma maneira excessiva, sentem-se incompreendidas, mal amadas, sozinhas. É mentira. E, mesmo que seja verdade, aos noventa já se sabe muito. A vida e a experiência devem ter dado armas para lidar com essas angústias. A quarta reflexão é que quem chega aos noventa e três anos vivo é porque aos noventa e dois ainda se queria viver. Allez, Amélie, encore un effort! Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:41
Comentar

Quinta-feira, 26 de Março de 2009

Luís Figo está "desagradado e surpreendido" com a situação do Banco Português de Negócios. Confesso que fiquei surpreendido com esta declaração de Miguel Macedo, representante dos direitos de imagem do jogador. Figo apenas se limitou a aceitar um trabalho honesto e, ao que parece, muito bem pago. Não sei exactamente os números mas rondam os 500 mil euros por três anos de trabalho. É bom mas não é assim tanto como outras estrelas portuguesas, que ganham mais que ele a fazer menos. Não é preciso mencionar o Ronaldo. Basta-me lembrar os salários e prémios do inestimável Armando Vara. Por outro lado, que se saiba, Figo não teve nada a ver com as manigâncias financeiras do BPN. Ainda por cima, o contrato dele com o banco termina no fim do ano. Duvido que seja solicitado para defender a imagem daquela instituição ou lançar novas campanhas de poupança. Apesar deste excesso de zelo por parte de Figo, que de uma maneira retorcida me comoveu, o que está feito, está feito. Há que levantar a cabeça e partir para outra que o tempo passa e há muitos outros futebolistas que querem entrar no mundo da publicidade. Estava eu a pensar tudo isto quando oiço o tal representante de Luis Figo a dizer: “Agora, está na expectativa para perceber quais são as intenções do BPN, sendo certo que até agora têm cumprido". Ora bem, aquilo de estar “desagradado e surpreendido” é por não saber ainda se vai receber o seu, que legitimamente lhe pertence. Bom, agora é que estamos a falar. Assim também eu me sentia “desagradado e surpreendido”. Que o BPN não possa honrar as suas dívidas com os depositantes e devedores bancários, isso ainda vá que não vá. Mas não pagar ao Figo… Isto sim, é um escândalo. Ainda por cima o Oliveira e Costa fazia parte do conselho fiscal da Fundação Figo e era dono da empresa que geria a imagem do Luis. Bandidos! Olha, “desagradado” é favor. Cambada de aproveitadores. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:35
Comentar

Quarta-feira, 25 de Março de 2009

Segundo recentes estudos, a nossa taxa de suicídio é muito similar à taxa verificada em países muito mais desenvolvidos que o nosso. Também o número de portugueses obesos está a aumentar, aproximando-nos cada vez mais do primeiro mundo. Ainda não atingimos os Estados Unidos mas, tendo ganho Obama as últimas eleições presidenciais, tudo leva a crer que os obesos americanos vão diminuir. O que nos leva a concluir que entre o aumento de gordos portugueses e a descida dos gordos americanos, os números vão chegar a ser proporcionalmente iguaizinhos. Para os optimistas incuráveis, os suicídios e a obesidade, são índices indiscutíveis do nosso cada vez maior desenvolvimento. Não vou discutir com pessoas que têm uma perspectiva tão entusiasta da vida. Contudo, é preciso não nos deixarmos enganar pelas estatísticas. Aparentemente este estudo implica que os obesos não se suicidam. Se não fosse assim, significava que quantos mais suicídios menos obesidade. Por isso, é legítimo pensar que os suicidas são magros e quem não se suicida tem tendência para engordar. Por outro lado, não me parece correcto tomar estas tendências pouco saudáveis como parâmetros de um putativo êxito económico. Embora um suicídio seja um suicídio aqui na terra como na Suécia e um obeso seja igualmente gordo em Trás-os-Montes como em Nova Iorque, nem por isso são sociologicamente equivalentes. Tomemos ao acaso um tipo de suicida português. Um GNR, por exemplo. Se apanharmos o homem antes de consumar o irremediável e o trasladarmos de imediato para a Noruega, tenho a certeza de que muda de opinião. Se pelo contrário, trouxermos um polícia nórdico e suicida e o colocarmos em Rio de Mouro, verificaremos que não só não mudará de opinião como ainda é capaz de primeiro engordar e depois se suicidar. Outro aspecto confuso deste estudo é o aumento da obesidade como se alguma vez tivesse sido pouca. A nossa gastronomia é irresistível e a nossa geografia não ajuda muito a fazer passeios para ajudar à digestão. Um obeso português é desculpável. Agora um finlandês gordo não tem explicação. Eu preferia suicidar-me a engordar à base de arenques. Esta decisão explicaria a taxa nórdica de suicídios mas não a sua correspondente obesidade. Espero ter esclarecido as vossas dúvidas. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:31
Comentar

Arquivo do blogue
Subscrever feeds
blogs SAPO