Sexta-feira, 30 de Abril de 2010

Li no Jornal de Notícias que Tiger Woods listou todas as relações extraconjugais que teve durante o casamento, uma das quais com uma vizinha. Suponho que o relatório tenha feito parte do tal tratamento à adição sexual que o golfista iniciou há meses. Não querendo pôr em causa a experiência e as capacidades dos responsáveis daquela clínica, não me parece nada boa ideia. Fazer uma lista destas não tem mal nenhum. Qualquer homem nalguma conversa com os amigos pode já tê-la feito. Muitas das vezes terá sido exagerada pela vaidade, outras censurada pela prudência do bom senso. A questão é que Woods não só reportou o respeitável número de 120 mulheres diferentes ao longo do seu casamento de seis anos, como permitiu que viessem a público os nomes das felizardas ou talvez não. Se o objectivo desta terapia é salvar o casamento, não acho que seja este o caminho. Ainda por cima, quando na lista aparece a filha dos vizinhos. Fazer uma coisa dessas está mal. Fazer perto de casa, é pior. Fazer à filha dos vizinhos é querer mesmo ser apanhado. Olha. Terá sido isso? Será que desde o primeiro adultério, o golfista queria que alguém o impedisse de ser infiel? É provável, pelo menos de um ponto de vista psicanalítico, que cada fornicação extra-conjugal fosse apenas um pedido de amor nunca atendido pela bela e loira, mas fria e insensível legítima esposa. Sim, cada vez mais acredito que a culpa a tem a Elin Nordegren, a sua mulher. Coitado do Tiger Woods. Apesar do êxito na sua vida profissional, reconhecimento e dinheiro, sempre se sentiu um homem só. De nada lhe valeu se casar com uma sueca espectacular, ter dois filhos muito queridos, mais de mil milhões de dólares na conta à ordem, ser amado pelos seus fãs. Não. Ninguém percebeu que Tiger continuava ser aquele rapazinho que só queria que falassem com ele. Que lhe dessem atenção e carinho. Coitado. Eu percebo o que é estar no topo, ter tudo, e ao mesmo tempo sentir que nada faz sentido. Mas ao contrário do golfista, cedo soube que ter todas a mulheres que o dinheiro pode comprar, mesmo sendo elas capas da Playboy, não preenchem esse vazio. Mas agora, se fosse a ele, contratava um bom advogado. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:05
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Quinta-feira, 29 de Abril de 2010

A propósito do novo estatuto do aluno, foi para mim uma surpresa saber que a bandeira e o hino não estavam incluídos no quadro de referências que devem ser respeitados pelos alunos. Congratulo os responsáveis por esta decisão corajosa e audaz. Se calhar, como a bandeira e o hino aparecem acompanhados pela Declaração Universal dos Direitos do Homem, a Convenção sobre os Direitos da Criança e outras convenções similares, a coisa passa sem grandes polémicas. Mesmo aqueles que podem desconfiar desta inclusão dos símbolos pátrios na escola calam-se porque confundem-na com algum outro direito. E a malta está sempre mais disposta a aprovar tudo o que seja direitos das pessoas. Pelo sim, pelo não, é melhor não fazer muita barulheira sobre o assunto. Confuso para mim é a obrigatoriedade para o pessoal docente e não docente da estabelecimento escolar, incluídos os alunos, de participação ao director “de comportamentos susceptíveis de constituir infracção disciplinar". As infracções disciplinares pode ser mais que as mães. Também podem ser da mais diversa gravidade ou insignificância. Admito que um professor não deixe passar uma delas nem outro as seleccione segundo um código pessoal, mesmo que seja excêntrico e veja nos nós das gravatas um acto de insolência e nos combates corpo a corpo uma maneira de aprender a dureza da vida. A arbitrariedade até faz parte da vida. O estranho é querer incluir neste esquema de prevenção ou de flagrante delito a participação dos alunos como denunciantes. Acredito que pode ser útil em certas circunstâncias como o tão falado bullying ou abusos dos mais fortes sobre os mais débeis. Mas na maior parte dos casos duvido que a denúncia entre colegas seja educativa ou sequer moralmente justificável. Suponho que mais uma vez dependerá do critério das autoridades de cada estabelecimento escolar. Pode acontecer que se fomente a denúncia para poupar trabalho ou que se ignore pela mesma razão. Mas o carácter obrigatório da denúncia para os alunos pode provocar um problema grave entre as crianças. O conceito de lealdade e companheirismo entra em conflito com os valores de obediência e respeito pela autoridade. Sinceramente, não gostaria de voltar à escola nestes dias. Podem estar a criar monstros ou imbecis. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:04
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Quarta-feira, 28 de Abril de 2010

Imaginemos que um dia o primeiro-ministro holandês afirmava que a Holanda e o Afeganistão tem um destino comum e devem unir-se. Ambos fazem das flores um bem essencial nas importações. Os holandeses exportam tulipas e os afegãos não podem viver sem as suas papoilas. Intuíamos que estes interesses comuns eram falsos. Imaginemos um pouco mais. Evo Morales, presidente da Bolívia, quer unir forças com os Estados Unidos porque fazem Coca-Cola e eles têm coca que se fartam. Eis outro equívoco. Agora, em vez de imaginarmos, ouçamos as totalmente verdadeiras declarações do presidente iraniano. Mahmud Ahmadinejad, que tem nome de vulcão, disse em Teerão, durante um encontro com o ministro dos negócios estrangeiros brasileiro, Celso Amorim, que o seu país e o Brasil devem trabalhar em conjunto para criar uma "nova ordem mundial". A base desta proposta fraternal do iraniano é o interesse comum na produção e uso do urânio enriquecido e as suas aplicações. No melhor dos casos, todas pacíficas. No pior, nem quero pensar nisso. Tudo bem. O Brasil apoia o Irão para defender os seus interesses e o Irão tem uma lança na América do Sul. Agora especulemos. Suponhamos que o presidente do Brasil, convida para uma visita ao Brasil, Ahmadinejah e os seus colegas, que na sua maior parte são mulahs e aqueles que não são, também não brincam com o Corão. Imaginemos que, por uma questão de agenda esta visita oficial só se pode realizar durante o Carnaval. Suponhamos que Lula, para mostrar o calor e a alegria do seu povo, leva toda a comitiva ao sambódromo. A pergunta que vale um doutoramento em Relações Internacionais é: o que fazem os iranianos com a sua política de alianças baseada na produção de energia nuclear? O fundamentalismo pactuará com as bundas para fazer bombas? As mulatas serão condenadas a fatwas por serem a encarnação da maldade com mamas? Para ocupar um lugar entre as grandes potências, o Brasil aceitaria vestir sutiã e calcinha aos símbolos das escolas de samba? Eu acho que Ahmadinejah não percebeu em que companhias anda. Ter nuclear ou ir para o inferno? Espero que o rapaz escolha o inferno. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:03
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Terça-feira, 27 de Abril de 2010

Stephen Hawking afirmou ser perfeitamente racional assumir que existe vida inteligente além da Terra. Não é possível, racionalmente, deixar de concordar com ele. Já lá vão os tempos em que os cristãos consideravam uma blasfémia pensar na existência de ETês. Não sei o que pensam os muçulmanos sobre o tema. Suponho que também não está previsto no Corão mas com certeza estarão incluídos na secção dos infiéis. O interessante da afirmação do cientista é que não só dá como certo a sua existência por uma questão meramente matemática, como nos informa de que devem ser perigosos. Hawking disse isto: “Se os extraterrestres nos visitassem, as consequências seriam semelhantes às que aconteceram quando Cristóvão Colombo desembarcou na América, algo que não acabou bem para os nativos”. Temos de evitar o contacto com eles. Na ficção científica, há lugar para todos. Para alienígenas bons e maus, feios e bonitos, mais civilizados ou mais selvagens. Mas para o simpático cientista não há dúvidas. Desde o alto da sua super-moderna cadeira de rodas exorta-nos a não nos darmos com eles. Hawking baseia-se não só na tradicional fobia dos seres humanos a todos os seres diferentes de nós, a saber judeus, pretos, árabes, amarelos, brancos, monhés, ateus, crentes em geral, gordos, baixos, loiros ou coxos. Mas também os humaniza e imagina que devem ter problemas similares aos nossos, como um mundo poluído, gasto de recursos nas suas terras. Seríamos roubados, massacrados e talvez também vítimas de coisas das quais não fazemos a mínima ideia. Mas coisas feias que fazem entre eles lá no seu planeta quando são cruéis e degenerados. Sei lá o que devem fazer com tentáculos ou as catorze cabeças que têm nos dedos dos joelhos. Eu sabia que não devíamos entrar na cantiga de Spielberg mais o seu ET sonso. Por outro lado, espero que sejam mesmo feios. Ia ser difícil ter invasores muito queridos e giros, cheios de razão para nos matar. Era deprimente que fôssemos nós os maus. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:02
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Segunda-feira, 26 de Abril de 2010

Foi um maravilhoso 25 de Abril. É só o que vos digo. Até o pormenor de ter calhado a um domingo foi um prelúdio da concórdia e da simpatia que dominaram esta celebração. O Presidente da República fez um auto-elogio absolutamente merecido, lembrando o alerta por ele feito há dois anos. Em 2008, Cavaco Silva tinha previsto a barraca que podiam dar os prémios e as remunerações dos CEO de empresas públicas. Tinha razão e os governantes foram suficientemente irresponsáveis por permitir que essa informação delicada se tornasse pública. Para quê? Para provocar inveja? Para comparar o tamanho dos prémios? Para incitar a uma revolta dos assalariados contra os premiados? Nada de bom pode sair do conhecimento de uma verdade que nos revela que há pessoas que depois do dia quinze de cada mês continuam felizes e despreocupadas. É assim que começam os conflitos sociais. O Diário de Notícias contou dezanove greves nos próximos três dias. Não digo que a culpa a tenham os ditos prémios, mas também não ajuda nada. Mas voltemos à alegria da festa. Cavaco esteve positivo e lembrou que temos de encontrar soluções. Apelou à criatividade. Quem não gosta dela? Como podemos não apelar a ela? E lembrou a nossa vocação marítima. Vocação que não percebo porque é que foi esquecida. Há séculos que invadir Espanha está fora de questão. África do norte, nem pensar. Pelo menos até que não saibamos se podemos contar com os famosos submarinos. Só temos o Oeste para nos expandir. A Madeira agora está um amor, desde que sabe que o continente a ama. Os Açores só querem ser úteis e estão fartos de produzir produtos lácteos. Hello? O outro momento alto foi protagonizado por Aguiar-Branco, que provocou risos à esquerda ao tentar apoderar-se de frases famosas ditas por famosas estrelas da esquerda, como Lenine ou Rosa Luxemburgo. Teve graça e tem razão. É sempre possível encontrar uma ideia ou uma opinião inteligente em qualquer pessoa de qualquer ideologia. Suponho que até Goebbels deve ter dito nalgum momento que gosta muito de ler ou que o cinema junta o melhor da indústria com o melhor da arte. Sei lá. O que não é aceitável é, na Assembleia da República, e em transmissão directa para todo o Portugal, tentar promover Sérgio Godinho. Uma coisa é manipular as ideologias; outra é impor-nos o seu gosto musical. Isto para mim é inaceitável. Que Aguiar-Branco oiça o que quiser, mas por favor não partilhe. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:01
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