Segunda-feira, 31 de Maio de 2010

Depois de ter sido promulgado pelo Presidente da República, o texto que aprova o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo deve ter sido hoje publicado em Diário da República, entrando assim em vigor. Parabéns a todos os pombinhos e as pombinhas que estavam à espera desta ocasião para institucionalizar a relação. Mas agora que entraram no mundo da oficialização legal, preparem-se para tolerar as tradições. Lá porque o casamento gay é uma novidade não vai por isso estar livre de piadas preconceituosas e estereótipos herdados desde tempos imemoriais. Ou, pelo menos, desde que se inventaram as sogras, que se confirmou que todas as mulheres querem mudar os seus maridos e que todos os maridos se casaram na vã esperança de que nada mudaria e que tudo seria sempre como no primeiro dia. Como ainda é cedo para verificar se as velhas ideias se aplicam nos casamentos gay, vão ter de suportar o subtil sentido de humor que a instituição do matrimónio gerou geração após geração de casamentos e relações familiares que vêm com o pacote. Parece que Quim Barreiros começou a colaborar na história do casamento gay com uma canção. Os activistas LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgénero) acusaram-na de ser “sexista”, “discriminatória” e “homofóbica”. Meus caros activistas LGBT, tenham calma e sosseguem. As sogras já passaram por isto e continuam a reproduzir-se e a viver a sua vida e a dos filhos e filhas com o mesmo afinco e a mesma omnipresença de sempre. O mesmo acontece com as mulheres, retratadas de muitas maneiras e feitios por inúmeros quins barreiros de muitos séculos e de todas as partes do mundo. O Quim Barreiros não faz muito o meu estilo, mas eu não conto. O povo é que conta, e tem o seu sentido de humor próprio. E, às vezes, até tem piada. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:07
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Sexta-feira, 28 de Maio de 2010

O vídeo que mostrava a despedida de Mourinho dos seus colaboradores em Milão… Mas quem estou eu a enganar? A despedida desgarrada de Mourinho e Matterazzi provocou reacções diversas. Não é normal presenciar um momento destes. Deveríamos recuar umas décadas e recordar as despedidas de familiares de emigrantes que partiam para longe, ou coisas dessas que já não se usam, como enviar tropas para África. Mas a questão é que toda a gente presenciou a lacrimosa despedida dos dois amigos. A minha mulher disse que eram os dois muito queridos. Não sei porquê, mas a minha mulher adora ver os homens a chorar, desde que não os conheça. O meu sobrinho, que está na idade de aprender, perguntou-me se eram bichas, e se eram qual fazia de mulher. Obviamente, respondi-lhe que não são gays e que os homens também podem estar tristes, chorar e até ficar abraçados, desde que mantenham uma certa distância da cintura para baixo e se possa sempre ver onde estão as mãos. Mas acrescentei que, se fossem gays, de certeza não ia ser o Materazzi a fazer de mulher. Nesse momento, o meu sobrinho acusou-me de ser preconceituoso. Lá por o italiano ser mais alto, não ia ser por isso que era mais homem que Mourinho. Enfim, foi uma discussão que acabou como sempre. Liguei ao pai dele para que o viesse buscar. O miúdo anda pior que o Ricardo Rodrigues. O comentário dum vizinho meu também deu para o torto. Disse-me que se o Mourinho estava assim tão triste devia ficar no Inter, que o dinheiro e a fama não valiam uma amizade como esta e começou a dar um exemplo que não ouvi porque fechei a porta acidentalmente mas com energia. Pela minha parte, fiquei com pena da gente do Porto e do Chelsea. Ou Mourinho não criou laços afectivos tão intensos como em Itália ou, a outra possibilidade, o homem fica sempre triste na hora da despedida, mas em Itália há mais repórteres que em Inglaterra e em Portugal. Não sei, mas se fosse amigo de Mourinho e numa despedida não me fizesse uma fita daquelas, ia ficar convencido que toda a nossa relação tinha sido uma mentira, e que afinal havia outro. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:19
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Quinta-feira, 27 de Maio de 2010

Ontem um grupo da Greenpeace fez uma intervenção – ou uma «acção directa», nas palavras de Ricardo Rodrigues – no supermercado Pingo Doce do Cais do Sodré. Parece que o Pingo Doce está a destruir os oceanos. Antes de mais nada devo dizer-vos que termos no nosso território uma delegação da Greenpeace é um reconhecimento internacional do desenvolvimento de Portugal. Que eu saiba estes activistas não vão chatear bolivianos, etíopes ou tailandeses. Eles só fazem estas acções nos países com algum poderio económico. Só estes países podem estar a destruir os recursos naturais: oceanos, florestas tropicais, bichinhos voadores, répteis, e assim por diante. A Greenpeace é uma organização muito severa e justa. Eles não vão protestar em países ecológicos e respeitadores do ambiente como o Irão, o Zimbabué, a Coreia do Norte ou o Uganda. Que tenham impedido a abertura do Pingo Doce significa estamos ao nível de países de predadores como o Japão, os Estados Unidos ou o Canadá. Que grande pinta! Apesar da crise, lá estamos nós a destruir o ambiente para ganharmos umas massas. Não temos arranjo. Somos um povo que gosta de saquear o planeta. Até não percebo porque é que não nos demos bem com os vikings. Voltando ao Pingo Doce, os verde-pazes têm um rating de supermercados destruidores da Natureza. O Pingo é o mais selvagem de Portugal. Para mim, foi uma surpresa que o Continente tenha ficado atrás. Julgo que o Belmiro se vai sentir ofendido por não ter sido atacado. Talvez o Continente não esteja a fazer o suficiente pela alimentação dos portugueses. Espero que o Belmiro tenha em conta esta ofensiva da Greenpeace. É o reconhecimento internacional à Jerónimo Martins. Esta empresa quer dar aos portugueses o mesmo que outros cidadãos de outros países comem e compram nos supermercados lá dos sítios. Hoje mesmo vou ao Pingo Doce. Deve haver iguarias proibidas como baleia, golfinhos, angulas vivas de três centímetros e sei lá que mais peixinho e marisco em extinção. No fundo, a Greenpeace fez uma excelente homenagem a esta empresa portuguesa que nos enche de orgulho. Viva a Jerónimo Martins. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:18
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Quarta-feira, 26 de Maio de 2010

Tenho alguma simpatia pela Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor, a DECO. Gosto da revista, porque se pretende justa e bem intencionada. Tenta elucidar os leitores sobre os benefícios da poupança de energia, às vezes dá dicas certas sobre certos electrodomésticos, tenta esclarecer dúvidas e, como o seu nome o indica, tem como objectivo defender os direitos dos consumidores. No entanto, às vezes extravasa os seus limites e, tal como muitos ecologistas, místicos e pessoas convencidas de si próprias, confunde direitos com imposições e prefere a segurança do consumidor à liberdade do cidadão. O último exemplo do fundamentalismo desta gente foi-nos dado nas conclusões do estudo sobre o alcoolismo nos jovens. Parece que nos grupos observados mais de cinquenta por cento dos menores de 16 anos não tiveram problemas em comprar bebidas alcoólicas. A Deco responsabiliza, e com razão, a ASAE, que não fiscaliza o que devia, e sugere que a idade mínima para comprar bebidas alcoólicas devia aumentar ser 18 anos. Esta última medida já não me cheira bem. Nos tempos em que vivemos os jovens amadurecem mais depressa. E assim como muitas pessoas concordam em reduzir a idade que dá direito ao voto, a que os responsabiliza criminalmente, aquela com que podem conduzir, e muitos outros direitos e obrigações, parece-me que a idade para comprar álcool estaria naturalmente incluída. A sugestão da DECO vai contra esta tendência de responsabilizar mais cedo os nossos prematuramente amadurecidos jovens. Outra sugestão dada por esta Associação é aumentar o preço das bebidas alcoólicas, para, desta forma serem menos acessíveis aos nossos pobres jovens. Já conhecemos onde nos leva esta solução tão original de aumentar os preços: mais dinheiro para o Estado; encarecimento dos produtos; os alcoólicos ricos, jovens ou velhos, não teriam problemas em consumir, mas os pobres alcoólicos dos doze aos oitenta anos podem ser levados a uma vida de delinquência para poderem adquirir uma imperial, um copo de vinho tinto ou mesmo um uísque de Sacavém. A possibilidade de se iniciar um mercado negro e paralelo é mais que certa. Enfim, nem quero pensar no caos social provocado pela aplicação das soluções bem intencionadas da DECO, para afastar os nossos jovens da bebida, uma actividade mais nossa que o bacalhau. Espero que desta vez, ninguém os leve a sério. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:17
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Terça-feira, 25 de Maio de 2010

A duquesa de York, Sarah Fergunson, caiu numa armadilha feita por um jornal. Um jornalista fez-se passar por um empresário que queria contactar o príncipe André, o actual representante da casa real para o Comercio e Investimento do Reino Unido. Sarah foi filmada a propor a quantia necessária para o pôr em contacto com o príncipe e a aceitar um adiantamento de quarenta mil euros ou dólares, não percebi bem, mas tanto faz. Devo afirmar que não gosto de tráfico de influências no sentido financeiramente ganancioso da palavra. Mas não tenho nada contra que aconteça entre amigos e familiares, desde que sejam competentes e honestos e tenham uma preferência ante desconhecidos igualmente competentes e igualmente honestos. O caso de Sarah Fergunson é, sem dúvida, embaraçoso e, até certo ponto, condenável. Mas julgo que devemos ter em conta certas atenuantes. Sarah é uma mulher divorciada com dois filhos. Não voltou a casar. Fez muitos e diversos trabalhos com escritora, produtora, apresentadora de televisão e outras actividades. Pelos visto fez de tudo, e tudo mal feito. Vive da generosidade da casa real que, segundo dizem, é, como todas, muito sovina. Sarah até afirmou que só recebe dez mil libras quando a Diana pelo divórcio levou 12 milhões. Também há que ter em conta que a sua relação com o ex-marido, o príncipe André, é exemplar. O seu aspecto saudável e carácter espontâneo inspiram uma certa simpatia popular. Também temos de ter em conta os hábitos agressivos da imprensa inglesa e do jornal que montou esta armadilha. O News of the World não é a revista Sábado, à qual um qualquer deputado ofendido pode roubar impunemente dois gravadores. Este jornal inglês come ricardos rodrigues ao pequeno-almoço. É por isto que, apesar de ser questionável que uma mulher aproveite a sua boa relação com o ex-marido para ganhar algum dinheiro para alimentar os seus filhos, menos questionável e mais condenável me parece este jornal sensacionalista, que se aproveita de uma mulher indefesa e a exibe na praça pública como se fosse uma freira e tivesse posado nua para a Playboy. É indesculpável. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:16
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