Quarta-feira, 7 de Janeiro de 2009

Hoje não quero andar às voltas e devo ser sincero: a entrevista do nosso primeiro-ministro foi chata. Apesar dos entrevistadores se terem esforçado e tentado tudo por tudo para apanhar alguma a José Sócrates. Mas o homem com tantas discussões na Assembleia e tantos anúncios transcendentais em tudo quanto seja sítio aprendeu muito. No entanto, acredito que com mais meia dúzia de entrevistas destas, Ricardo Costa e José Gomes Ferreira vão conseguir que o homem perca a paciência. Temos de admitir que não temos um político em Portugal que tenha aprendido tão depressa a esquivar-se das questões e a defrontar-se com avaliadores desconhecidos. Francisco Louçã, Paulo Portas e mesmo Santana Lopes parece que nasceram já entrevistados. Para eles é natural responder às perguntas. O nosso Sócrates teve de fazer um esforço quase contra-natura para aceitar que lhe fosse feita uma pergunta. Às vezes tenho a sensação de que antes de ser primeiro-ministro, ninguém perguntava a Sócrates nada de nada. Devemos reconhecer o seu mérito e empenho. Por outro lado, vi que muitos tentaram minimizar a sua entrevista porque a telenovela da TVI, Flor do Mar, teve mais audiências. Isso, para mim, é ser mauzinho. A diferença foi apenas de 3,7 % de rating. Muito inferior à abstenção eleitoral, não a outra, que foi superior a trinta por cento. Em termos televisivos, foi muito bom e em termos políticos foi um êxito. É verdade que não ouvimos na entrevista nada que nos surpreendesse. Mas isso, já sabíamos. Aliás, basta lembrar os momentos mais altos e inesperados: “tudo aponta para recessão” e “a maioria absoluta é necessária” ou “se puder adianto as legislativas”. Olha a surpresa. Queremos declarações bombásticas, mas isso só na Índia e no Médio Oriente. O Governo e os políticos em geral tendem a ser cada vez mais previsíveis e calculistas, à excepção de alguns, uns quantos excêntricos que animam a festa. Agora é mais interessante especular com o que queriam dizer ou com aquilo em que estão a pensar do que com as suas declarações públicas. Habituemo-nos e especulemos à vontade. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:13
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Comentários:
De ana cristina leonardo a 11 de Janeiro de 2009 às 19:06
Às vezes tenho a sensação de que antes de ser primeiro-ministro, ninguém perguntava a Sócrates nada de nada

o senhor comentador no seu melhor


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